"Eles imaginaram que eu iria acabar", diz Lula após liderar pesquisa Datafolha

Paula Bianchi

Do UOL, em Brasília

  • Paula Bianchi/UOL

    Lula participa da abertura oficial do 8° Encontro Nacional do MAB no centro do Rio

    Lula participa da abertura oficial do 8° Encontro Nacional do MAB no centro do Rio

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comentou nesta segunda-feira (2) a mais recente pesquisa Datafolha, divulgada neste fim de semana, que o coloca em primeiro lugar nas intenções de voto para a eleição presidencial de 2018. "Eles imaginaram que eu iria acabar", afirmou durante a abertura oficial do 8° Encontro Nacional do MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens), realizado no Terreirão do Samba, no centro do Rio de Janeiro.

Lula ainda contestou o porcentual divulgado. Em sua opinião, teria 40% e não 35% da preferência popular, caso a pesquisa não considerasse um candidato virtual. Ele não revelou, no entanto, quem seria esse candidato.

"Todo dia eles me prendem, todo dia inventam um crime que eu não cometi. A surpresa deles foi pegar a pesquisa no sábado. Eu tinha 35%. E eles sabem que eu poderia ter 40%. E aí eles não se conformaram", diz o ex-presidente sem citar nomes.

A um ano das eleições de 2018, o ex-presidente mantém a liderança da corrida presidencial e aparece em primeiro lugar. Realizada na quarta (27) e na quinta (28), a pesquisa mostra um aumento de 15% para 18% nas menções espontâneas a Lula como candidato mais citado desde junho. "Eles sabem que a pesquisa não mentiu", diz o petista. Na pesquisa estimulada, em que são exibidos cartões com os nomes dos candidatos, Lula lidera no primeiro turno em todos os cenários em que participa, com pelo menos 35% das intenções de voto. 

A taxa de rejeição ao ex-presidente também caiu nos últimos três meses. Segundo o Datafolha, 46% dos eleitores disseram em junho que não votariam em Lula de jeito nenhum. Agora, 42% têm essa opinião.

O Datafolha fez 2.772 entrevistas em 194 cidades. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

O petista foi condenado em julho pelo juiz Sergio Moro a nove anos e meio de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro, no caso do tríplex de Guarujá (SP). Em setembro, ele foi acusado de corrupção pelo ex-ministro Antonio Palocci, que negocia acordo de delação premiada.

Lula se disse "estarrecido" com o levantamento do Datafolha, que perguntou à população se ele deveria ser preso. "A pergunta não deveria ser essa, mas 'quem faz a denúncia é a Globo?'. A Polícia Federal mente quando faz inquérito, o Ministério Público mente quando faz denúncia. [Sergio] Moro não deveria aceitar. Desafio eles a encontrarem prova de um real que eu tenha desviado."

A declaração de Palocci, feita ao juiz Sergio Moro, fez com que seus alguns de seus adversários políticos indicassem o fim da carreira política do petista.

Nos cenários em que foi considerado, Lula tem o dobro de intenções de voto do segundo colocado, o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ). Oscilando entre 16% e 17%, Bolsonaro aparece empatado com Marina Silva (Rede), que varia entre 13% e 14%.

Além de Lula, o encontro também contou com a presença da senadora e presidente do PT, Gleisi Hoffmann, do senador Lindbergh Farias (PT) e do senador Roberto Requião (PMDB).

Antes da fala de Lula, a organização leu uma carta da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) em que ela defendeu as realizações de seu governo e de seu antecessor e condenou as atuais políticas adotadas no país. "O golpe ilegítimo que me tirou da presidência ainda não acabou", afirma. Gleisei também discursou brevemente.

Cerca de 3.500 pessoas de 10 países participam do encontro, de acordo com a organização.

Nesta terça-feira (3), Lula volta ao palanque no Rio de Janeiro, desta vez em um ato em frente à sede da Petrobras, também no centro do Rio, com a participação do MAB e do Sindicato dos Petroleiros. Batizado de "Ato em defesa da soberania nacional", a manifestação tem como mote o aniversário de 64 anos da empresa.

(Com informações do Estadão Conteúdo)

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