STF autoriza que celulares ligados a Aécio sejam enviados aos EUA para desbloqueio

Felipe Amorim

Do UOL, em Brasília

  • André Dusek/Estadão Conteúdo

    Senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG)

    Senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG)

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Marco Aurélio Mello autorizou que a Polícia Federal envie aos Estados Unidos quatro celulares, um tablet e um aparelho de reprodução de áudio para que eles possam ter a senha de acesso desbloqueada.

Os telefones e aparelhos eletrônicos foram apreendidos em endereços de pessoas ligadas ao senador Aécio Neves (PSDB-MG), na investigação aberta a partir da delação da JBS.

Aécio foi denunciado pelos crimes de corrupção e obstrução de Justiça, por suspeitas de ter negociado propina com o empresário Joesley Batista, um dos donos da JBS. O senador nega qualquer prática irregular e afirma que tratou com Batista apenas da venda de um imóvel da família e de um empréstimo pessoal.

Um dos telefones foi apreendido em endereço atribuído à irmã de Aécio, Andrea Neves, e outro em endereço ligado ao primo do senador, Frederico Pacheco. 

No pedido enviado a Marco Aurélio, a Polícia Federal afirma que os aparelhos estão protegidos por senha e que os equipamentos disponíveis não foram capazes de desbloqueá-los.

A Polícia Federal informou que um perito criminal irá levar os aparelhos ao fabricante de um sistema capaz de desbloquear os dados.

Aécio Neves está afastado de suas atividades parlamentares desde o dia 26 de setembro, por determinação da 1ª Turma do STF.

Entenda as investigações

Aécio passou a ser investigado a partir da delação premiada de executivos da JBS. As investigações da Procuradoria-Geral da República apontam que o senador teria pedido R$ 2 milhões ao empresário Joesley Batista, um dos donos da JBS, para supostamente pagar advogados de defesa.

O diálogo em que Aécio pede o dinheiro a Joesley foi gravado secretamente pelo empresário, que fechou acordo de colaboração premiada. 

A Polícia Federal rastreou que parte desse valor foi entregue por um executivo da JBS ao primo de Aécio, Frederico Pacheco de Medeiros, que repassou o dinheiro a Mendherson de Souza Lima, na época assessor do senador Zezé Perrella (PMDB-MG).

Frederico e Mendherson também são investigados e chegaram a ser presos, mas foram libertados pela mesma decisão do STF que revogou a prisão de Andrea Neves.

Essa investigação levou à apresentação de denúncia contra Aécio por corrução e obstrução de Justiça e à instauração de um novo inquérito contra o senador para apurar novas suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro, também a partir das investigações iniciadas com a delação da JBS.

Obstrução de justiça

A denúncia por obstrução da Justiça contra Aécio se baseia em ligações telefônicas interceptadas pela Polícia Federal, com autorização do STF, durante as investigações.

A PGR afirma que Aécio, por meio de uma série de contatos com o diretor-geral da PF, Leandro Daiello,"deixou clara a sua intenção de interferir" para que a investigação sobre irregularidades na licitação da Cidade Adminstrativa de Minas Gerais ficasse com "um delegado específico" na corporação. A PGR destaca que, apesar das tentativas do senador, o responsável não foi trocado.

A denúncia da Procuradoria cita ainda o telefonema de Aécio ao ministro do STF Gilmar Mendes, "numa atitude inusual", para que convencesse o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) a votar a favor do projeto de lei de abuso de autoridade. Segundo Janot, Aécio usou seu mandato "não apenas para se proteger das investigações da Operação Lava Jato, mas também para barrar o avanço do Estado na descoberta de graves crimes praticados pelas altas autoridades do país, num verdadeiro desvio de finalidade da função parlamentar."

O que diz Aécio

À época da denúncia, o advogado de Aécio, Alberto Zacharias Toron, afirmou, em nota, que a defesa do senador "refuta integralmente" o teor da peça e disse ver uma "inexplicável pressa" da PGR em apresentar a acusação, oferecida antes de o senador ser ouvido para prestar esclarecimentos.

Sobre a acusação de obstrução à Justiça, Toron afirmou que a PGR busca "criminalizar o livre exercício de legislar, pois, em termos simples, não gostou do modo de votar do senador Aécio Neves", disse a nota.

"Quanto à suposta influência na troca de delegados, trata-se de conversa privada, quase sempre induzida pelo candidato a delator, sem qualquer consequência prática", conclui a defesa de Aécio.

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