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Talvez Segovia esteja pagando o preço por falar demais, diz Maia

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Imagem: WALTERSON ROSA/FRAMEPHOTO/FRAMEPHOTO/ESTADÃO CONTEÚDO

Gustavo Maia

Do UOL, em Brasília

27/02/2018 19h07Atualizada em 27/02/2018 20h29

Questionado sobre a troca no comando da PF (Polícia Federal), o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), se disse surpreendido pelo ato, acrescentando que trata-se de uma decisão "muito pessoal" do novo ministro da Segurança Pública.

O ministro Extraordinário da Segurança Pública, Raul Jungmann, tirou nesta terça-feira (27) Fernando Segovia da direção-geral da Polícia Federal e convidou o atual secretário nacional de Segurança Pública, delegado Rogério Galloro, para assumir o cargo.

"De fato, para mim foi uma surpresa. Eu acho que o Segovia é um bom quadro da polícia, estava no início do seu trabalho e vinha começando um bom trabalho, mas se essa é a decisão do governo, é uma decisão exclusiva do governo", declarou.

Maia elogiou Galloro, que "já vinha dentro da estrutura da diretoria-geral há muito tempo", e disse esperar que ele tenha "a mesma liberdade e independência" para exercer o seu trabalho.

Para o presidente da Câmara, a saída de Segovia pode ter sido motivada por ele ter "falado demais", mas defendeu o agora ex-diretor geral.

"Se ele falou demais, muitos outros têm falado demais também, no Poder Judiciário e no Ministério Público. Não é uma prática dele falar demais. Falou uma vez e talvez esteja pagando o preço por isso", declarou.

No último dia 9, Segovia concedeu entrevista à agência de notícias Reuters em que disse não haver indício de crime no inquérito que apura se o presidente Michel Temer (MDB) favoreceu empresas no porto de Santos (SP) por meio de um decreto em troca de propinas. O então diretor-geral indicou ainda que a investigação pode ser arquivada em pouco tempo.

Marun diz que "afinidade" definiu troca

O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, afirmou que Jungmann tem “liberdade absoluta para montar sua equipe” e defendeu que Segovia não está sendo substituído após críticas.

“Nesse sentido, talvez por um conhecimento melhor do trabalho do Galloro, [Jungmann] entendeu que a pessoa adequada para, neste momento, comandar a PF fosse ele e, portanto, levou à frente essa substituição”, afirmou.

Marun também avaliou que Segovia fez um bom trabalho no cargo e que a troca está ligada à proximidade de Jungmann com o sucessor. “Temos 10 meses de existência pelo menos garantida desse ministério e é natural que ele escolha para esse trabalho pessoas com quem tenha maior afinidade, maior contato. Isso é o que está acontecendo neste momento”, falou.

Questionado se Segovia cometeu um erro ao comentar sobre o inquérito dos portos, em andamento, Marun defendeu que o ex-diretor-geral da PF “verbalizou o óbvio”. Quando perguntado se Galloro poderia repetir a atitude, disse que isso depende do perfil dele. “Penso que toda essa celeuma que se deu [da declaração do Segovia] foi uma tempestade em copo d`água”, comentou.

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