Como os militares reagiram às declarações de comandante do Exército

Luis Kawaguti

Do UOL, no Rio

  • Foto: Agência Brasil

    O general Villas Bôas escreveu que o Exército repudia a impunidade

    O general Villas Bôas escreveu que o Exército repudia a impunidade

As declarações do comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas, de repúdio à impunidade na véspera do julgamento envolvendo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vêm provocando uma onda de reações de militares em redes sociais abertas e fechadas desde a noite de terça-feira (3). O UOL apurou que, enquanto grande parte dos militares apoia totalmente as declarações, outros veem com ressalvas o que entendem como sua decisão de tomar posição.

A reportagem ouviu seis oficiais da ativa e da reserva que pediram para não serem identificados e pesquisou publicações feitas por oficiais no Twitter e no WhatsApp. A maioria deles apoiou as palavras do general, especialmente no sentido de luta contra a sensação de impunidade --sem fazer referência ao que chamam de "fator Lula".

Sem citar o caso, o presidente Michel Temer (MDB) disse que o cumprimento rigoroso da Constituição dá estabilidade ao país e defendeu a liberdade de expressão.

Em suas publicações, Villas Bôas não fez nenhuma referência ao julgamento, ao Partido dos Trabalhadores ou a qualquer agremiação política. Mas, três oficiais do Exército disseram à reportagem ter entendido as palavras do comandante como uma tomada de posição em relação ao julgamento do Supremo do recurso da defesa do ex-presidente para tentar evitar sua prisão. 

Dois deles afirmaram ter entendido que as palavras do comandante sinalizam uma discussão sobre a possibilidade de uma intervenção militar no governo federal --posição divergente da postura legalista que o Exército vem adotando desde o fim do regime militar.

"As Forças Armadas não podem ficar assistindo o Brasil ser transformado numa Venezuela", afirmou um general da reserva.

Um oficial ligado ao comandante afirmou ao UOL afirmou que ele "jamais pensou sobre qualquer ato que possa transparecer uma intervenção".

O general Villas Bôas se reunirá na tarde de hoje com membros do Alto Comando do Exército que participarão amanhã de uma cerimônia militar em Brasília.

As manifestações nas redes sociais começaram logo após Vilas Boas publicar suas mensagens no Twitter. O general Walter Braga Netto, interventor federal na segurança do Rio de Janeiro, deu apoio às palavras de Villas Bôas por meio do Twitter da intervenção: "Soldado, líder e cidadão: nosso Comandante!".

O general Antônio Miotto, Comandante Militar do Sul afirmou: "Mais uma vez o comandante do Exército expressa as preocupações e anseios dos cidadãos brasileiros que vestem fardas. Estamos juntos, Comandante".

O general José Luiz Dias Freitas, Comandante Militar do Oeste publicou mensagem semelhante à do general Miotto.

Braga Netto, Miotto e Dias Freitas lideram comandos militares e são membros do Alto Comando do Exército.

Já o general Paulo Chagas, que é da reserva e pré-candidato ao governo do Distrito Federal neste ano, foi mais enfático: "Tenho a espada ao lado, a sela equipada, o cavalo trabalhado e aguardo suas ordens!!"

No Whatsapp houve intensa troca de mensagens de apoio entre militares de apoio ao comandante, segundo o UOL apurou. Um general influente na conjuntura atual afirmou que é preciso lutar contra o "crime organizado".

Outro general falou ao UOL ver com ressalvas a decisão de Villas Bôas de "colocar o time em campo" devido às críticas de seus opositores na política e na sociedade civil. Ele disse que, como o Exército não pretende intervir de fato na política, não seria adequado fazer esse tipo de comentários neste momento.

"Agora é aguentar caneladas, rasteiras..."

Entre as críticas estão uma mensagem no Twitter publicada pela presidente do PT e senadora pelo Paraná, Gleisi Hoffmann. Ela afirmou que o respeito à Constituição implica na garantia da presunção de inocência.

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB) disse que a afirmação de Villas Boas ultrapassa a missão institucional das Forças Armadas:

Mas políticos também defenderam as declarações do general, como o pré-candidato Jair Bolsonaro, que publicou: "Estamos juntos General Villas Boas".

O general Clóvis Púrper Bandeira, vice-presidente do Clube Militar afirmou que Villas Boas não disse "nada espantoso", mas afirmou se entristecer com a divisão da sociedade. Ele disse temer choques entre manifestantes quando o resultado do julgamento for anunciado.

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