Operação Lava Jato

Operador de fraudes em fundos de pensão lavou R$ 45 milhões no exterior, diz Lava Jato

Hanrrikson de Andrade*

De UOL, no Rio

  • Divulgação

    Lava Jato apreende R$ 400 mil, além de dólar, euro e pesos argentinos em endereço ligado a Penn

    Lava Jato apreende R$ 400 mil, além de dólar, euro e pesos argentinos em endereço ligado a Penn

A força-tarefa da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro afirmou nesta quinta-feira (12) que Edward Penn, contra quem há mandado de prisão expedido pela 7ª Vara Federal Criminal (RJ), lavou no exterior R$ 45 milhões desviados dos fundos de pensão Postalis (dos Correios) e Serpros (do Serviço Federal de Processamento de Dados).

O suspeito, que trabalha nos Estados Unidos, utilizava de empresas de fachada do mercado de câmbio para ocultar os recursos oriundos de corrupção e repassá-los a beneficiários no Brasil, de acordo com as investigações da Operação Rizoma, realizada nesta quinta-feira (12) pela Polícia Federal, pelo MPF (Ministério Público Federal) e pela Receita Federal.

O montante lavado por Penn, na versão dos investigadores, fez parte de uma "série de sofisticados esquemas de lavagem de dinheiro, com o auxílio de doleiros da organização criminosa de Sérgio Cabral", segundo informou a MPF.

Um dos suspeitos de ter recebido propina no esquema é Marcelo Sereno, ex-secretário nacional do PT e ex-assessor do ex-ministro José Dirceu. Ele foi detido nesta manhã por agentes da PF em cumprimento a ordem de prisão da Justiça federal.

A defesa de Sereno nega que seu cliente tenha recebido propina e diz que vai recorrer da prisão. Além dele, também são alvos da operação o lobista Milton Lyra, ligado ao PMDB, o sindicalista Carlos Alberto Valadares, o ex-chefe de gabinete da presidência dos Correios Adeilson Telles e outros suspeitos identificados como operadores financeiros.

Até as 11h desta quinta, foram cumpridos quatro dos dez mandados de prisão preventiva expedidos pela Justiça. A ação cumpre ainda 21 mandados de busca e apreensão, além de uma intimação de um investigado a comparecer a PF para depoimento. As ordens judiciais ocorrem no Rio de Janeiro, em São Paulo e no Distrito Federal.

As investigações da Lava Jato apontam que o investidor Arthur Machado, contra quem também há mandado de prisão, seria o responsável por fazer os pagamentos da propina gerada pelo esquema de lavagem de dinheiro. As vantagens foram distribuídas a pessoas ligadas aos dois fundos de pensão.

Além de Penn, Machado teria atuado, segundo a força-tarefa, com o auxílio dos doleiros Vinicius Claret e Cláudio Barbosa. A dupla é ligada aos também doleiros Marcelo e Renato Chebar, irmãos que prestavam serviço de envio de recursos ilícitos ao exterior para o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (MDB).

Em 2010, Machado lançara a ATG (Americas Trading Group), empresa que atua diretamente no mercado financeiro e foi considerada a "nova bolsa de valores brasileira". No mesmo ano, o empresário constituiu o fundo FIP ETB (Eletronic Tranding Brazil), com objetivo de angarir recursos na "nova bolsa".

O projeto teve, segundo a Lava Jato, dois grandes investidores iniciais, entre os quais o Postalis. O fundo de pensão ingressou como cotista com um aporte de R$ 119 milhões. Em 2013, a Serpro também adquiriu cotas do FIP ETB, realizando um aporte total de R$ 72 milhões até 2015.

A partir de acordos de colaboração premiada, os investigadores da Lava Jato descobriram que os investimentos realizados pelos fundos de pensão se deram "em contrapartida a vantagens indevidas pagas por Arthur Pinheiro Machado".

Os advogados de Milton Lyra, Pierpaolo Bottini e Alexandre Jobim, informaram por meio de nota que o empresário entrou em contato com a Polícia Federal para se apresentar após tomar conhecimento da decisão judicial. "A defesa assevera ainda que as atividades profissionais do empresário são lícitas, o que já foi comprovado em diversas oportunidades, e que seu cliente está e sempre esteve à disposição para colaborar com a Justiça e com a investigação", diz o texto. 

O advogado de Sereno, Afonso Destri, afirmou que o Ministério Público se baseia em "ilações"  na sua denúncia. "O que me parece é que o Ministério Público, a partir de fatos isolados, no caso de Marcelo Sereno, fez ilações completamente sem fundamento. Sereno não exerce, não tem influência, nem qualquer voz de comando sobre qualquer fundo de pensão. Portanto, não pode ter participado dos fatos que o MP chegou através de ilações", disse ao UOL.

Destri afirma ainda que o MP usou de "estratégia" para que o processo caísse nas mãos do juiz federal Marcelo Bretas. "O Ministério Público usou estratégia para poder dirigir o pedido de prisão à 7ª Vara [Criminal do Rio] ao invés de distribuir o pedido à livre distribuição. Bretas tem se mostrado duro nesse tipo de decreto", disse. 

*Colaborou  Mirthyani Bezerra, do UOL, em São Paulo.

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