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Witzel diz que "propinolândia" prova "assalto" aos cofres públicos e cobra "limpeza"

Kleyton Amorim/UOL
Imagem: Kleyton Amorim/UOL

Gabriel Sabóia

Do UOL, no Rio de Janeiro

09/11/2018 19h35Atualizada em 09/11/2018 22h08

O governador eleito do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), afirmou que a prisão de sete deputados estaduais, nesta quinta-feira (8), mostra que os cofres públicos "foram assaltados" e justifica assim a revisão do acordo de recuperação fiscal, uma das principais bandeiras defendidas pelo governador eleito.

"Sempre disse que o estado não pode pagar pela corrupção. Desde a campanha digo que o procurador escolhido pelo nosso governo vai trabalhar para reaver prejuízos causados pelo assalto aos cofres públicos. O fato disso ter acontecido é mais uma razão para justificar a recuperação fiscal que estamos pleiteando", afirmou Witzel, nesta sexta-feira (9), durante entrevista coletiva em que anunciou nomes do seu novo secretariado.

Nesta quinta, sete deputados estaduais e mais três que já estavam presos foram acusados de integrarem um esquema de recebimento de propina, em troca da aprovação de projetos de lei na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro). A operação teria movimentado mais de R$ 54,5 milhões, entre os anos de 2011 e 2014, e os integrantes do Ministério Público chegaram a definir o esquema como "A Propinolândia da Alerj".

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As investigações da Operação Furna da Onça --um desmembramento da Lava Jato-- mostraram que os deputados também usavam as nomeações de cargos em empresas e autarquias ligadas ao governo como moeda de troca para interesses políticos. O Detran do Rio concentrava indicações de quase todos os parlamentares presos. Nesta manhã de sexta, o órgão não emitiu documentos por causa da prisão --e consequente exoneração-- do seu presidente Leonardo Jacob, na operação. No total, 23 pessoas foram presas.

"A tolerância com a corrupção será zero. Espero que até o dia 31 de dezembro a auditoria do Detran esteja finalizada, que seja feita uma limpa. A vistoria veicular que existe hoje será extinta. A proposta é fazer a vistoria nas ruas. Aleatoriamente, vamos escolher veículos, assim como o poder policial permite. Mas podemos também fazer isso junto as blitzes da Operação Lei Seca", afirmou. Além de Jacob, Carla Adriana Pereira também foi presa e exonerada do cargo que ocupava no Detran.

Entre os presos pela Operação Furna da Onça está o deputado Chiquinho da Mangueira, que se reelegeu na última eleição pelo PSC, partido do governador. Sobre uma possível expulsão de Chiquinho da legenda, Witzel foi lacônico. "Reafirmo a minha posição de neutralidade. O PSC já disse que tomará as suas posições", resumiu.

Novos secretários

Na mesma entrevista, Witzel anunciou três nomes que vão compor o seu secretariado.

O deputado federal Otávio Leite (PSDB) assumirá a pasta de Turismo. Já o ex-árbitro de futebol Guttemberg de Paula Fonseca será o secretário de Governo. Guttemberg atuou no marketing digital de candidatos do PSL nas últimas eleições e é visto como um nome alinhado à bancada de 13 deputados eleitos pelo partido para a Alerj. Já o advogado Cássio Coelho será o diretor do Procon-RJ.

"Todos eles têm grandes responsabilidade. O turismo será o novo petróleo para o Rio de Janeiro. Por mês, queremos receber um milhão de turistas. Por ano, 12 milhões. Essa é a meta do Otávio Leite. Já o Guttemberg tem a missão de reconstruir moralmente a Assembleia Legislativa, atingida pela corrupção. Ele vai me ajudar na interlocução e com uma base de deputados estaduais que vai nos ajudar nessa costura. Vamos avaliar bastante a configuração da Alerj diante das prisões desta semana. Ele foi árbitro de futebol, está acostumado a tomar decisões em segundos, expulsando ídolos. Esse tem coragem. Já o Coelho vai ajudar o estado a atingir o equilíbrio entre consumidores e empresas", resumiu.

Deputado briga com jornalistas

Ao final da entrevista coletiva de Witzel, o deputado estadual eleito Rodrigo Amorim (PSL) discutiu com jornalistas que perguntaram a ele "qual seria a tolerância da bancada do PSL sobre a corrupção, no próximo mandato". O questionamento foi feito a Amorim, que acompanhava a entrevista, no contexto da eleição para a presidência da Alerj. O candidato apoiado pela bancada do PSL, André Correa (DEM), está entre os presos da operação Furna da Onça, por suposto recebimento de propina e distribuição de cargos com interesse político e corre o risco de perder o mandato.

Amorim, que foi o deputado estadual mais votado do estado e ganhou notoriedade depois de participar da destruição de uma placa em homenagem à vereadora Marielle Franco (PSOL), morta em março, contestou o questionamento feito por um repórter. Nas palavras dele, a pergunta era "tola e idiota neste momento do país ". O parlamentar eleito também disse que o jornalista deveria voltar para a universidade.

Outros repórteres defenderam o direito do jornalista à pergunta e disseram que, caso se sentisse incomodado, Amorim tinha o direito de não responder. O parlamentar foi retirado do local por outros colegas do PSL. Minutos depois, Amorim pediu desculpas aos jornalistas pela exaltação.

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