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Futuro ministro da Defesa anuncia os novos comandantes das Forças Armadas

Elson Sempé Pedroso/CMPA
O general Edson Leal Pujol, que comandará o Exército Imagem: Elson Sempé Pedroso/CMPA

Luis Kawaguti

Do UOL, no Rio

2018-11-21T17:21:06

21/11/2018 17h21

O general Fernando Azevedo e Silva, escolhido pelo presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) para ser o ministro da Defesa, anunciou na tarde desta quarta-feira (21) os nomes dos próximos comandantes das Forças Armadas.

O novo comandante do Exército será o general-de-exército Edson Leal Pujol; o chefe da Marinha será o almirante-de-esquadra Ilques Barbosa Júnior (atual chefe do Estado-Maior da Armada) e o da Aeronáutica, o tenente-brigadeiro Antônio Carlos Moretti Bermudez.

As escolhas seguem a tradição das Forças Armadas de nomear os oficiais mais antigos da ativa em suas forças.

O atual comandante do Exército, general Eduardo Villas Boas, se manifestou em seu perfil no Twitter sobre a indicação de Pujol, que é ex-comandante das Forças de Paz da ONU (Organização das Nações Unidas) no Haiti.

Escolha de Pujol agrada Alto Comando do Exército

A escolha de Pujol agradou o Alto Comando do Exército e foi classificada como “a mais pragmática”, pois ele é o oficial da ativa mais antigo do Exército. As outras duas opções eram o general Paulo Humberto Cesar de Oliveira e o Mauro Cesar Lourena Cid. Todos eles eram da mesma turma de Bolsonaro na Aman (Academia Militar das Agulhas Negras) no ano de 1977.

Parte da cúpula do Exército chegou a cogitar que Cid seria o escolhido, pois ele serve na mesma arma que Bolsonaro serviu, a Artilharia. Paulo Humberto é de infantaria e Pujol de Cavalaria (assim como o general Augusto Heleno Ribeiro Pereira, que assumirá o Gabinete de Segurança Institucional).

O último posto de comando de Pujol foi o Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército. Ele foi um dos comandantes da missão de paz no Haiti e é citado por uma parcela de militares como “liberal” e “democrata”.

O general tem boa capacidade de comunicação como seu antecessor, o general Villas Boas. Porém, sua escolha tem outra característica que o assemelha a Villas Boas: ele tem grande proximidade em termos de idade com os 15 membros do Alto Comando do Exército --diferentemente do que ocorria com o antecessor de Villas Boas, o general Enzo Martins Peri. Esse fator o aproxima do Alto Comando e deve dar força e para o colegiado de generais e união para o Exército, segundo afirmou uma fonte ao UOL.

O nome de Pujol surgiu na mídia em setembro do ano passado quando chefiava o Comando Militar do Sul. O general disse em uma palestra que a parcela da população insatisfeita com a situação política deveria se manifestar de “ordeiramente” nas ruas. “Mas não é para incendiar o país, não é isso”, afirmou na ocasião.

Marinha e Aeronáitica

Marinha do Brasil / Divulgação
Almirante-de-esquadra Ilques Barbosa Júnior Imagem: Marinha do Brasil / Divulgação

Assim como Pujol, o novo comandante da Marinha será o militar mais antigo em atividade na força - uma escolha considerada normal no meio militar. Ilques Barbosa Júnior assumiu em setembro de 2017 o posto de Chefe do Estado-Maior da Armada, que na hierarquia é a posição mais importante depois do comandante. Ele ocupa uma função de caráter estratégico e tem o papel de assessorar diretamente o atual comandante.

Força Aérea Brasileira / Diuvulgação
Tenente-brigadeiro do ar Antônio Carlos Moretti Bermudez Imagem: Força Aérea Brasileira / Diuvulgação

O almirante-de-esquadra entrou para a Marinha em 1976 e também ocupou posições como as de Diretor de Pessoal da Marinha, Comandante-em-Chefe da Esquadra e comandante do 1º Distrito Naval, no Rio de Janeiro (o de maior importância estratégica do país).

No início da carreira, comandou o navio-escola Brasil, o rebocador de alto-mar Tritão e foi imediato no contratorpedeiro Pernambuco.

O tenente-brigadeiro do ar Antônio Carlos Moretti Bermudez é o oficial mais antigo em atividade na Força Aérea depois do atual comandante Nivaldo Luiz Rossato, que está no cargo desde 2015.

Ele terá que assumir a tarefa de conduzir o projeto Dimensão 22 da Força Aérea Brasileira, um programa de modernização e desenvolvimento tecnológico da força para fazer frente aos conflitos de última geração. Os últimos anos desse programa forma marcados por aquisição de tecnologia, tentativas de venda de bases aéreas ociosas e terceirização de pessoal.