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Morre o advogado Sigmaringa Seixas, ex-deputado pelo PT e pelo PSDB

12.abr.2018 - O advogado Sigmaringa Seixas - Zanone Fraissat/Folhapress
12.abr.2018 - O advogado Sigmaringa Seixas Imagem: Zanone Fraissat/Folhapress

Bernardo Barbosa

Do UOL, em São Paulo

25/12/2018 13h24Atualizada em 25/12/2018 17h14

Morreu nesta terça-feira (25), aos 74 anos, o advogado e ex-deputado federal Luís Carlos Sigmaringa Seixas. Ele exerceu mandatos na Câmara pelo PT e pelo PSDB. Recentemente, também fez parte da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de quem era amigo há décadas.

Por volta das 14h, a defesa de Lula entrou com pedido na Justiça Federal do Paraná para que o ex-presidente pudesse deixar a prisão e comparecer ao funeral de Sigmaringa, marcado para esta quarta (26) em Brasília. A solicitação foi negada cerca de uma hora depois.

A notícia do falecimento foi divulgada via Twitter pela senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) às 11h35 de hoje.

"Com tristeza imensa acabei de saber da morte de nosso grande e querido companheiro Sigmaringa Seixas. Lutador incansável pela justiça e pela democracia em nosso país. Vai fazer muita, muita falta Sig! Solidariedade à família e amigos", publicou a senadora.

Pelo Facebook, o ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão informou que Sigmaringa "não resistiu a um transplante de medula no Hospital Sírio-Libanês", em São Paulo.

"Era um combatente e teve um papel fundamental na transição da ditadura para o governo civil", escreveu Aragão. 

Pelo Twitter, o presidente Michel Temer (MDB) lamentou a morte do advogado.

"Lamento imensamente a morte do grande advogado e homem público, Sigmaringa Seixas, um lutador pela democracia brasileira. Meus sentimentos de pesar à família e amigos", diz a publicação.

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Dias Toffoli, afirmou que a morte do advogado é uma "grande perda para o direito, a advocacia e o Brasil", em nota divulgada pelo tribunal. 

"Sigmaringa Seixas tinha compromisso com a Justiça e o bem-estar social. Deixou sua marca como homem público, deputado constituinte e advogado primoroso, sempre pronto a lutar pelos Direitos Humanos, pela Democracia e pela Liberdade em nosso País, trabalhando com humildade pelo bem comum, sem buscar os holofotes. Entre as características de sua personalidade, estavam a discrição e a vocação para o outro. Um homem de bem! Uma grande perda para o Direito, a Advocacia e o Brasil. Minha solidariedade à Marina, filhos, familiares e amigos", diz a nota.

Advogado de presos políticos

Sigmaringa Seixas nasceu em Niterói (RJ) no dia 7 de novembro de 1944. Na década de 1970, foi advogado de presos políticos detidos pela ditadura militar (1964-1985), segundo informações do CPDOC (Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil) da FGV (Fundação Getúlio Vargas). No começo dos anos 80, criou o Comitê Brasileiro de Anistia.

O advogado também participou da política partidária. Com o fim do bipartidarismo em 1979, filiou-se ao PMDB. Em 1986, foi eleito deputado federal constituinte.

Dois anos depois, deixou o partido para se juntar ao recém-criado PSDB, legenda pela qual foi eleito para novo mandato em 1990. Em 1992, integrou a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que investigou o envolvimento do então presidente Fernando Collor com um esquema de corrupção comandado por PC Farias, que tinha sido o tesoureiro da campanha presidencial. Sigmaringa também disputou o Senado em 1994, sem sucesso.

Em 1997, Sigmaringa Seixas saiu do PSDB e se filiou ao PT, partido pelo qual disputou as eleições de 1998 para o governo do Distrito Federal como vice na chapa de Cristovam Buarque -- a candidatura foi derrotada. Depois, exerceu mais um mandato como deputado federal entre 2003 e 2007.

Lula o queria no STF

Segundo reportagem da revista "piauí" de setembro de 2010, Sigmaringa foi convidado por Lula em mais de uma ocasião para assumir uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal), mas nunca quis virar ministro.

"Eu prefiro advogar", disse à revista.

Após uma das recusas de Sigmaringa, Lula nomeou Dias Toffoli, hoje presidente do STF.

Em março de 2016, conversas do advogado com o ex-presidente foram gravadas pela Polícia Federal e divulgadas junto com dezenas de outras após autorização do então juiz Sergio Moro -- hoje o futuro ministro da Justiça do governo de Jair Bolsonaro (PSL).

Em um dos diálogos, de 7 de março de 2016, Lula pediu ao advogado que conversasse com o então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, sobre as investigações das quais era alvo.

Repercussão

Além de Temer, outros políticos lamentaram a morte de Sigmaringa Seixas.

O vereador de São Paulo e ex-senador Eduardo Suplicy (PT) tratou Sigmaringa como "incansável advogado defensor de nossos companheiros, um amigo certo das horas incertas".

Já para o senador Romero Jucá (MDB-RR), o advogado era "um lutador pelos direitos individuais e coletivos e um defensor da democracia".

O governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB), declarou que Sigmaringa era um "democrata" que "sempre investiu no diálogo para buscar soluções para o Brasil".

Segundo Luiz Marinho (PT), ex-ministro e ex-prefeito de São Bernardo do Campo, Sigmaringa "teve papel fundamental na redemocratização".

Sigmaringa Seixas era casado e deixa dois filhos.

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