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Ciro Nogueira é alvo de operação da PF

Moreira Mariz/Agência Senado
Ciro Nogueira (PP-PI) Imagem: Moreira Mariz/Agência Senado

Mirthyani Bezerra

Do UOL, em São Paulo

2019-02-22T08:05:24

2019-02-22T08:45:29

22/02/2019 08h05Atualizada em 22/02/2019 08h45

A Polícia Federal cumpre na manhã de hoje sete mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), que também é presidente nacional do Partido Progressista. A "Operação Compensação" é fruto de uma solicitação feita pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge, ao STF (Supremo Tribunal Federal) e foi autorizada pela ministra Rosa Weber.

O objetivo da ação, segundo a Procuradoria-Geral da República, é apurar crimes de lavagem de dinheiro e corrupção passiva. Os mandados são cumpridos nas cidades de Teresina, Brasília e São Paulo. Os envolvidos também foram intimados a depor.

O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, afirmou em nota que a defesa denuncia, mais uma vez, o "direito penal do espetáculo".

A partir de acordos de colaboração premiada de executivos da J&F, investigações dão conta de que os irmãos Joesley e Wesley Batista teriam repassado cerca de R$ 43 milhões ao PP para compra de apoio político do partido na campanha eleitoral para a reeleição da petista Dilma Rousseff, em 2014. 

O partido também teria recebido recurso para não agir contra a ex-presidente no processo de impeachment instaurado no Congresso Nacional.

No pedido enviado ao STF, a PGR afirma que parte da propina foi paga ao PP por meio de doações oficiais e outra parte (R$ 5 milhões) foi paga em espécie por meio de uma pessoa ligada a Ciro Nogueira. 

O inquérito que tramita no STF também investiga o ex-ministro Edinho Silva (PT), hoje prefeito de Araraquara (SP), citado como encarregado pelo PT de tratar com a J&F dos pagamentos de propina durante a campanha eleitoral de 2014, além dos executivos Joesley Batista e Ricardo Saud, da J&F, que firmaram acordos de delação premiada. Edinho Silva nega as acusações contra ele. 

O senador do PP já havia sido, por duas vezes, alvo de mandados de busca e apreensão no ano passado, uma em setembro e outra em abril. Nesta, a PF chegou a apreender cerca de R$ 200 mil na casa dele em Teresina. O gabinete dele também foi alvo dos mandados. Na ocasião, ele era suspeito de tentar obstruir investigações. Em setembro, os agentes voltaram a ir a casa dele e também à sede do PP no estado. 

Sobre a operação de hoje, Kakay disse que o que está sendo apreendido foi recentemente restituído pelo STF em virtude de outra operação que não resultou em ação penal. "O Supremo rejeitou a denúncia, pois baseada tão somente na palavra de outro delator. Tal constrangimento poderia ser evitado com a simples intimação do senador para prestar esclarecimento pois, é evidente, este sempre se colocou à disposição do Poder Judiciário", afirmou na nota. 

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