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Política

Petista que apoiar reforma da Previdência sofrerá consequências, diz Gleisi

30.out.2018 - A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann - Roberto Casimiro/Fotoarena/Estadão Conteúdo
30.out.2018 - A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann Imagem: Roberto Casimiro/Fotoarena/Estadão Conteúdo

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, em Brasília

22/03/2019 16h31Atualizada em 22/03/2019 16h40

A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, declarou hoje que o parlamentar que não seguir a orientação do partido em oposição à reforma da Previdência sofrerá "consequências". A sigla anunciou uma campanha para barrar o projeto proposto pelo governo Jair Bolsonaro (PSL), que terá várias frentes.

No Congresso, a ordem é, além de votar contra, buscar articulação com outros partidos (PDT, PSOL, PCdoB e Rede) e atuar em conjunto. As estratégias serão definidas na próxima terça-feira (26).

"Não corremos esse risco", disse Gleisi ao ser questionada se algum deputado ou senador poderia apoiar a reforma. "Quem não acompanhar a decisão do partido terá consequências", completou. Na visão dela, a "unidade política dentro do PT é enorme", o que rechaça essa possibilidade. "A resolução [contra a reforma] foi aprovada por unanimidade."

A reunião da próxima terça deve ocorrer na Câmara e juntar os mesmos partidos que, em fevereiro, não conseguiram se articular para o lançamento de uma "frente democrática" de oposição ao governo Bolsonaro. Gleisi declarou que, em relação ao tema da reforma da Previdência, há convergência entre os líderes das legendas.

"Esse é um tema que unifica a atuação dos partidos", comentou. "A garantia que nós temos [de que as outras legendas se juntarão ao PT na campanha] são as posições individuais desses partidos." No Parlamento, membros do PDT, do PSOL, do PCdoB e da Rede já se manifestaram contra a proposta enviada pelo Ministério da Economia.

"Há temas em que temos convergência, outros temos divergência. A vida no Parlamento é assim", ponderou a presidente do PT.

Campanha incorporada a atos por liberdade de Lula

O objetivo da campanha é, segundo Gleisi, "fazer todos os esforços para que essa reforma não prospere". "Esse não é o momento para se fazer uma reforma da Previdência, e sim uma reforma tributária", disse a ex-senadora e hoje deputada federal pelo PT. "O que eles querem fazer é a destruição total do modelo de seguridade social."

A atuação será nacional e incorporada ao calendário de mobilizações pela liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso e condenado pela Lava Jato. Os primeiros atos estão marcados para 1º de abril, quando a ideia será denunciar "a mentira" da proposta do governo Bolsonaro, na avaliação dos petistas.

Já em 7 de abril, quando a prisão de Lula completará um ano, diversas manifestações serão convocadas pelo país, com foco em Curitiba, onde o ex-presidente cumpre pena.

Além dos protestos e da participação dos movimentos sociais, o PT quer promover "aulas públicas" nas praças e desenvolver atividades nos municípios para "denunciar" o que entende ser o verdadeiro objetivo da reforma apresentada: beneficiar os bancos e instituições financeiras. Para Gleisi, a mudança do regime previdenciário para o modelo de capitalização. "O regime de capitalização é muito perverso", disse.

A presidente do PT diz que não apresentará uma "alternativa" à proposta elaborada pelo Ministério da Economia porque o partido não entende que a Previdência seja uma questão prioritária. Para ela, a primeira reforma que deveria ter sido apresentada é a tributária, pois assim o modelo se tornaria "mais justo e igualitário". "Não somos contra fazer ajustes. Já fomos governo e fizemos isso", comentou.

O PT também defendeu a criação de fundo com o objetivo de "apoiar os estados e municípios na transição de seus regimes [previdenciários] sem sobrecarregar, no curto prazo, seus tesouros públicos". A arrecadação viria de soluções sugeridas pelo partido durante a campanha do presidenciável Fernando Haddad (PT), derrotado por Bolsonaro no segundo turno da eleição, como cobrança de dívidas do setor privado, taxação de lucros, dividendos e grandes fortunas, entre outras.

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