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'Capitalização pura' tem chance zero de passar na Câmara, diz Rodrigo Maia

25.abr.2019 - Rodrigo Maia dá entrevista ao Central GloboNews - Reprodução/GloboNews
25.abr.2019 - Rodrigo Maia dá entrevista ao Central GloboNews Imagem: Reprodução/GloboNews

Do UOL, em São Paulo

25/04/2019 05h20

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou na noite de ontem que o regime de capitalização proposto pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, na reforma da Previdência tem "chance zero" de passar na Câmara.

"BPC [Benefício de Prestação Continuada] e [aposentadoria] rural vão sair [da proposta de reforma]. Capitalização vai ter de explicar muito bem. O custo de capitalização também é muito alto, de R$ 400 bilhões em dez anos", afirmou o deputado ao programa Central GloboNews.

A capitalização é uma das mudanças mais radicais da proposta, em relação ao modelo atual. Hoje, os trabalhadores da ativa bancam a aposentadoria de quem não está mais no mercado, no chamado regime de repartição. Na capitalização, o trabalhador contribui para a própria aposentadoria no futuro e, depois, só recebe o que conseguiu poupar.

"O que teria é o sistema misto. Quem ganha três, quatro, cinco salários mínimos ficaria no sistema [de Previdência] antigo. (...) Capitalização pura? Chance zero de passar", declarou Maia.

Maia disse ter certeza que a reforma da Previdência será aprovada na Câmara. "Pode não ser a Previdência ideal, mas uma boa Previdência o parlamento vai aprovar".

O presidente da Câmara admite que ainda não é a maioria que apoia a Previdência, e alfinetou, como fez em outras ocasiões, a atuação do governo no encaminhamento da pauta, dizendo que "o governo foi omisso no começo" da tramitação, mas que, agora, "as coisas estão caminhando".

"Ninguém explicou o que é 'nova política'"

Durante toda a entrevista, Maia manifestou seu incômodo com as acusações de "velha política" que o Congresso tem sofrido por membros do Poder Executivo desde o início do mandato do presidente Jair Bolsonaro (PSL).

"O governo precisa entender que ele pode governar de forma mais independente, mas não pode intervir no outro poder.

"Não se pode transformar todo tipo de diálogo, todo tipo de articulação, em um problema, em um crime. É claro que tem crime, que tem nomeação dolosa, nomeação em troca de favor, mas essa não pode ser a regra e nem pode ser a preocupação do governo", afirmou.

Questionado sobre sua opinião do que seria a "nova política", ele disse que o ideal era que o Brasil tivesse "um sistema democrático muito parecido com as grandes democracias, em que o poder do Parlamento seja um poder efetivo", e citou, nesse contexto, o quão importante seria implantar o orçamento impositivo, cujo principal objetivo é tornar obrigatória a execução de emendas de bancadas estaduais.

Maia também afirmou que a "nova política" acabaria com a medida provisória, classificada pelo parlamentar como um "instrumento autoritário".

DEM fora do governo

Após dizer que não tem "intimidade" nem uma boa relação com o presidente, "mas que isso não é importante", ele manteve o tom crítico ao governo federal.

"Qual é a agenda do governo? Eu pergunto qual é a agenda do governo para a Educação? Eu não sei qual é até o momento. Ninguém sabe. Qual é a agenda do governo nas Relações internacionais? É um desastre", exemplificou.

Ele usou a ausência de agenda para explicar a posição de seu partido. "O DEM tem três políticos nomeados e não faz parte do governo. Por quê? Por que a gente não sabe ainda qual é essa agenda do governo para que a gente possa ter clareza de dizer 'quero fazer parte', ou não", afirmou.

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