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Cadeia de presos da Lava Jato tem rebelião e agentes feridos

José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil, é um dos presos do Complexo Médico Penal (PR) - Sandro de Souza/Framephoto/Estadão Conteúdo
José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil, é um dos presos do Complexo Médico Penal (PR) Imagem: Sandro de Souza/Framephoto/Estadão Conteúdo

Vinicius Konchinski

Colaboração para o UOL, em Curitiba

16/08/2019 11h58Atualizada em 16/08/2019 16h01

Um início de rebelião aconteceu nesta manhã no CMP (Complexo Médico Penal), de Pinhais (PR), presídio que abriga os presos da Operação Lava Jato. A informação foi divulgada pelo Conselho da Comunidade de Curitiba, órgão vinculado à Justiça e responsável pela fiscalização de prisões, e depois confirmada pela Sesp (Secretaria de Segurança Pública do Paraná).

De acordo com Ricardo Miranda, presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná, às 9h30, dois trabalhadores do Complexo Médico abriram a cela 306, na galeria 3, para prestar atendimento médico a um preso. A cela tem capacidade para seis presos. Miranda disse que abrigava nove.

Parte desses presos tinha cortado uma cadeira de rodas usada no presídio e feito facas com o material dela. Quando um agente penitenciário se aproximou, foi atacado e tomou três golpes.

Ele recebeu atendimento médico no próprio Complexo Médico, mas teve que ser encaminhado ao hospital. O Depen-PR (Departamento Penitenciário do Paraná) informou que ele passa bem.

O agente que lhe dava apoio também foi atacado, mas não foi ferido gravemente. Ele também passa bem.

Miranda afirmou também que, durante o ataque, presos de outras celas da galeria tentaram arrombar as portas dos locais onde estão presos. Não conseguiram e acabaram controlados. "A intenção era tomar a galeria inteira", ele disse.

"O motivo disso ainda não está claro. Os presos estão sendo ouvidos", complementou o sindicalista. "Os agentes também estão recebendo atendimento médico e psicológico."

Miranda ainda criticou a superlotação do Complexo Médico. Segundo ele, a prisão tem capacidade para receber até 500 presos. Tem 972.

Todos esses presos são vigiados diariamente por cinco agentes penitenciários. "Não há funcionários suficientes para atender essa quantidade de presos", afirmou.

O Depen-PR, contudo, informou em nota que "a galeria em questão não está superlotada, ou seja, está dentro da capacidade". Declarou também que, usando protocolos de segurança, a situação no complexo já foi controlada.

Do lado de fora do Complexo Médico, não é possível ver qualquer sinal de revolta de detentos. Apesar disso, agentes do SOE (Seção de Operações Especiais), do Depen-PR, armados e de capacete estão circulando pelo presídio.

Lava Jato não afetada

Os presos da Lava Jato estão hoje ocupando uma sala de um hospital do complexo. Muitos têm diploma de curso superior. Por isso, estão detidos em celas especiais, separadas das demais galerias.

Hoje é dia de visitas no Complexo Médico Penal. Apesar do incidente, as visitas dos familiares não foram canceladas. Advogados, entretanto, foram proibidos de entrar Funcionários de empresas que prestam serviços dentro do CMP também tiveram sua entrada barrada por conta dos ataques.

Estão presos no CMP o ex-ministro José Dirceu, ex-presidente do Dersa Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, e o ex-presidente da construtora OAS Léo Pinheiro.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do que informou a matéria, o SOE (Seção de Operações Especiais) não é um órgão da Polícia Civil, mas sim do Depen-PR (Departamento Penitenciário do Paraná). A informação foi corrigida.

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