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Veja os passos da milícia digital contra jornalista da Folha citada em CPI

Hans River do Rio Nascimento depõe à CPMI das fake news no Congresso - Jane de Araújo/Agência Senado
Hans River do Rio Nascimento depõe à CPMI das fake news no Congresso Imagem: Jane de Araújo/Agência Senado

Aiuri Rebello e Vinícius Segalla

Do UOL e colaboração para o UOL, em São Paulo

16/02/2020 04h01Atualizada em 16/02/2020 14h01

Resumo da notícia

  • Redes de desinformação no WhatsApp distribuem fake news e difamação
  • Redes são ativadas e compartilham em massa conteúdo sobre um tema
  • Mesmo material é divulgado em diversos grupos ao mesmo tempo
  • Tática foi usada para difamar a jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha

A "milícia digital" de WhatsApp que compartilha mensagens de apoio ao presidente Jair Bolsonaro e fake news e ataques contra aqueles vistos como adversários do governo é organizada em fóruns numerados, com pautas coordenadas, agendas e administração centralizada.

Por meio de grupos com rede de administradores trabalhando de maneira integrada, é possível estabelecer ações conjuntas de ataques a adversários ou campanhas em favor de agendas políticas.

Nos últimos dias, a jornalista Patrícia Campos Melo, do jornal "Folha de S.Paulo", por exemplo, foi alvo de uma orquestração desse tipo. O UOL acompanhou a movimentação nesses grupos.

Na terça-feira (11), uma testemunha depôs na CPI mista das Fake News, no Congresso Nacional, e fez diversas afirmações falsas sobre o trabalho e a conduta da jornalista. O depoente trabalhou em uma empresa de envio em massa de mensagens de WhatsApp durante as eleições de 2018, e foi uma das fontes nas reportagens que ela escreveu sobre esta história.

Desde terça-feira, poucas horas após o depoimento da testemunha, começaram a chegar nos grupos links para notícias falsas, memes e vídeos dessa ação coordenada contra a jornalista.

O passo a passo da campanha difamatória

Primeiro, sites especializados em fake news, notícias distorcidas e hiperpartidárias publicam a "notícia". No caso, a de que a jornalista havia assediado a fonte em troca de informação e outras sobre o mesmo alvo.

14.ago.2020 - Print fake news  - Reprodução  - Reprodução
Link para site de notícias falsas compartilhado em grupo de fake news instantes após depoimento calunioso
Imagem: Reprodução

Após as acusações, a Folha publicou trechos das conversas entre a jornalista e a fonte que desmentem as declarações dadas na CPI.

A relatora da comissão parlamentar de inquérito, deputada Lídice da Mata (PSB-BA), pediu ao MPF que investigue o depoente pelo falso testemunho. O PTB, partido ao qual era filiado desde 2010, anunciou sua expulsão pelas mentiras e ataques à jornalista durante o depoimento.

Até lideranças do PSL ligadas ao presidente Jair Bolsonaro condenaram o depoimento, como o caso do senador Major Olímpio (PSL-SP).

Realidade não faz diferença

Nada disso, no entanto, fez diferença na disseminação de fake news nestes grupos de WhatsApp. Mensagens com calúnias contra a jornalista continuavam a chegar nos grupos de discussão até o final da semana.

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Link para canal no Youtube repercute declarações do deputado Eduardo Bolsonaro sobre os ataques contra jornalista da Folha na CPI mista das Fake NEws
Imagem: Reprodução

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Meme traz ataques e mentiras contra jornalista da Folha
Imagem: Reprodução

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Meme repercute no WhatsApp ataques à jornalista Patrícia Campos Mello
Imagem: Reprodução

Após os primeiros links com a notícia, começaram a aparecer nestes fóruns de discussão links para postagens das redes sociais de expoentes bolsonaristas, como o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), repercutindo a "notícia".

Em um terceiro momento, aparecem os memes. Nestas peças, o tom costuma subir e os alvos são vítimas de xingamentos, montagens grosseiras e ilações fraudulentas.

Este material recircula por vários dias em diversos grupos de WhatsApp até serem substituídos por um novo assunto do momento.

Chama a atenção que vários dos memes são assinados por pessoas, sites ou grupos de direita com forte atuação nas redes sociais.

Lula e o Papa

Outro assunto que mobilizou a "milícia digital" foi a visita do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Papa Francisco, nesta semana.

O encontro reforçou a desconfiança que setores do espectro político da direita tem em relação ao líder católico.

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Imagem: Reprodução

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Redes bolsonaristas no WhatsApp não gostaram da visita do ex-presidente Lula ao Papa Francisco nessa semana
Imagem: Reprodução

Errata: o texto foi atualizado
Lídice da Mata (PSB-BA) é deputada, e não senadora. A informação foi corrigida no texto.

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