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Saída de Moro revela 'arrefecimento' no combate à corrupção, diz Barroso

O ministro Luis Roberto Barroso participa de julgamento no plenário do Supremo Tribunal Federal  - FÁTIMA MEIRA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
O ministro Luis Roberto Barroso participa de julgamento no plenário do Supremo Tribunal Federal Imagem: FÁTIMA MEIRA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Felipe Amorim

Do UOL, em Brasília

24/04/2020 11h03

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Luís Roberto Barroso, afirmou na manhã de hoje que a eventual saída do governo do ministro da Justiça, Sergio Moro, representaria uma "arrefecimento" no esforço pelo combate à corrupção no país.

Barroso fez a afirmação durante debate online promovido pela XP Investimentos, ao ser perguntado sobre a possibilidade de o ministro e ex-juiz da Lava Jato deixar o cargo.

"A Lava Jato e a luta contra a corrupção simbolizaram uma sociedade que deixou de aceitar o inaceitável. E há pessoas que gostam mais e há pessoas que gostam menos do ministro Sergio Moro, mas o fato é que ele é o símbolo deste processo histórico", disse Barroso.

"E, portanto, eu acho que isso revela, como fatos já vinham revelando, um certo arrefecimento desse esforço de transformação do Brasil", disse o ministro.

Luiz Roberto Barroso fez a afirmação quando ainda não era conhecido o desfecho sobre a permanência de Moro no ministério.

Para Barroso, o Brasil já mudou de patamar na sua relação social com a corrupção e hoje em dia seria mais difícil a repetição de escândalos passados.

"A verdade, no entanto, é que eu acho que o Brasil já mudou. Mesmo com decisões do Supremo que eu discordo profundamente, que eu acho que nos retardaram um pouco nesse processo, a sociedade já não aceita mais, já não é mais tão fácil acontecer de novo o que aconteceu na Petrobras, o que aconteceu no Rio de Janeiro, já não é mais tão fácil agentes públicos nos mais altos cargos venderem atos normativos", disse o ministro.

"Portanto, eu acho que a despeito de decisões das quais eu discordo e de movimentos políticos imediatos que parecem ir na direção contrária, esse gênio não voltará para a garrafa. Eu sou contra insulto, sou contra agressão, mas hoje em dia está cada vez mais difícil um vigarista sair na rua e andar em paz", afirmou Barroso.

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