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Indignado, Dino diz que só Bolsonaro pode evitar colapso na Saúde; ouça

O governador do Maranhão , Flávio Dino (PCdoB), durante entrevista exclusiva ao UOL e a Folha em janeiro - Kleyton Amorim/UOL
O governador do Maranhão , Flávio Dino (PCdoB), durante entrevista exclusiva ao UOL e a Folha em janeiro Imagem: Kleyton Amorim/UOL

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Maceió

29/04/2020 17h28

No dia em que São Luís atingiu 100% de ocupação dos leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) em hospitais públicos e privados, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), mostrou completa indignação com as declarações de ontem e hoje de Jair Bolsonaro (sem partido), que minimizou as mortes por covid-19 e culpou os governadores pela proliferação do novo coronavírus.

Para Dino, não é hora de debater a saída do presidente, mas sim de cobrar dele ações imediatas para evitar o colapso total do sistema de saúde.

"É preciso que o presidente da República entenda já hoje, como maior autoridade do país, que ele tem de fazer, que deve fazer um pronunciamento à nação apelando para as pessoas cumprirem as medidas preventivas", afirma.

"Essa é a questão mais importante hoje: distanciamento nas próximas duas semanas para poder evitar o colapso absoluto. Hoje estamos na beira do precipício, na beira do colapso absoluto, e precisamos evitar, e Bolsonaro é o principal responsável para evitar essa situação", prossegue.

Ouça trecho da entrevista

Declaração "desleal e irresponsável"

Apesar de pedir, Dino acredita que não vê "qualquer sinal" disso até o momento. "Essa declaração desleal e irresponsável que proferiu há pouco, culpando governadores, não autoriza otimismo. Mas espero que a pressão social, e também das outras instituições, o levem para que ele faça alguma coisa", avalia.

O maranhense diz que a situação do país com a covid-19 é gravíssima, e o momento é de "serenidade" e "capacidade decisória". "Os governadores, de modo geral, têm tido isso, o que não significa dizer que a situação está sob controle. Não está!"

"Estamos vendo os indicadores objetivos: curva ascendente de casos, curva ascendente de mortos, lotação de hospitais públicos e privados, sobrecarga no serviços funerários, só uma pessoa delirante pode dizer que estamos diante de uma situação normal", alega.

É muito difícil para um governador sozinho fazer que cumpram as medidas, sendo que o presidente diz o contrário."
Flávio Dino, governador do Maranhão

Contra a saída, a favor de ações

Dino se mostra, neste momento, contrário à saída de Bolsonaro. "A curto prazo, não [vejo a possibilidade]. Imagino até que ele deve continuar neste momento. Nós temos uma questão dramática sobre a mesa das decisões do país que é o coronavírus, seus aspectos econômicos, sanitários e sociais. Não imagino que seja o momento que haveria a troca. Essa é uma questão futura", pontua.

O governador sugeriu, além de um pronunciamento do presidente orientando o isolamento social, a atuação imediata de articulação de Bolsonaro a fim de garantir equipamentos fora do país.

"Eu tenho aqui respiradores, comprei na China, consegui receber hoje às 3h da manhã. Já comprei mais na China, o Consórcio Nordeste comprou mais de uma empresa da Inglaterra. Mas seria outra coisa o presidente usar o seu poder de mobilização, usar a diplomacia e ligar para chefes de estados de outros países", diz.

Dino avalia que, diante da queda no número de casos em alguns países, como a China, "presume-se que a capacidade operacional desses países está sendo liberada". Isso, na sua visão, pode ser uma oportunidade na negociação de aparelhos.

Mas quem tem de fazer esse apelo? Eu, governador do Maranhão que vou falar com o presidente da China? Pegar o telefone e ligar para a Angela Merkel? Isso é papel do presidente da República! Ele tem de mandar o avião dele, que não está servindo para nada, até a China para buscar equipamento."
Flavio Dino, governador do Maranhão

Para ele, outro caso que precisa ser freado é a desorganização do pagamento do auxílio de renda básica.

"Ela é uma medida imprescindível, mas Caixa e Banco Central não se preparam para essa operação. Estamos vendo o crescimento de aglomeração de pessoa, em filas absolutamente aleatórias, desorganizadas. E isso se transforma em vetores poderosos do novo coronavírus. Não é apenas uma coincidência esse crescimento de casos em concomitância dessas gigantescas aglomerações sem que as autoridades federais tomem qualquer providência", diz.

"Por exemplo: acabei de consultar o Exército daqui para saber se ele poderia organizar as filas dos bancos federais; e a resposta foi negativa. Não é caso de bancos estaduais, é uma instituição federal! Então a gente vê que não há uma mobilização do governo federal para enfrentar [o problema]", completa.

Por fim, na entrevista ao UOL, o governador fez um desabafo "como cidadão" sobre atuação do presidente na crise do novo coronavírus.

"Estou indignado com essas omissões, com essas inércias, com essas frases bárbaras, com essa indiferença. Estou indignado, acima de tudo como brasileiro; acima de tudo como cidadão do país; com pai; como filho que tem pai e mãe idoso. Eu estou vendo a situação por dentro como está o país todo, todo mundo está vendo pela TV, pela internet, menos Jair Bolsonaro", afirma.

Estou há 45 dias imerso nisso, e o presidente fazendo piadinha na porta do Palácio? Isso é inaceitável!"
Flavio Dino, governador do Maranhão

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