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Bolsonaro nega interesse em troca na PF-RJ e manda jornalista calar a boca

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, em Brasília

05/05/2020 09h03

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) negou hoje que tenha pedido a cabeça do superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro e, ao rebater uma reportagem da Folha de S.Paulo, fez ataques à imprensa que o aguardava na saída do Palácio da Alvorada.

Sem responder perguntas, o mandatário elevou o tom, inflamou seus apoiadores contra os jornalistas e chegou a gritar que os profissionais deveriam "calar a boca".

Cala a boca, não perguntei nada. Cala a boca, cala a boca. Não tenho nada contra o superintendente do Rio e não interfiro na PF.
Jair Bolsonaro

A ira decorre, segundo Bolsonaro, de uma reportagem da Folha publicada ontem. No texto, a coluna "Painel", da jornalista Camila Mattoso, observa que a superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro é um foco de interesse da família Bolsonaro.

O comando da regional já havia sido motivo de impasse entre o presidente e o ex-ministro Sergio Moro, que se demitiu da chefia do Ministério da Justiça e Segurança Pública e acusou Bolsonaro de impor mudanças na estrutura hierárquica da PF por desejo pessoal —um inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal) foi instaurado para apurar se houve irregularidade.

Em agosto do ano passado, Bolsonaro atropelou o então diretor-geral da instituição, Maurício Valeixo, e anunciou a substituição do comando da superintendência fluminense, algo que ainda estava sendo discutido internamente.

Valeixo foi o pivô da saída de Moro, pois Bolsonaro exonerou o delegado contra a vontade do ex-ministro. No lugar, ele tentou nomear um amigo pessoal, Alexandre Ramagem. O ato, no entanto, foi barrado por liminar do ministro do STF Alexandre de Moraes.

Tão logo assumiu o cargo de diretor-geral, o substituto de Ramagem, Rolando Souza, determinou a troca de comando no Rio. Carlos Henrique Oliveira, que estava no exercício da função, foi convidado para ser o diretor-executivo, número dois na hierarquia do órgão.

Esse é o argumento de Bolsonaro para negar que a decisão de Souza tenha sido orientada por ele, por motivação pessoal. "Para onde está indo o superintendente do Rio de Janeiro? Para ser o diretor executivo da PF. Ele vai sair da superintendência para ser diretor-executivo. Estou trocando ele? Estou tendo influência sobre a Polícia Federal? Isso é uma patifaria", reclamou.

"O atual superintendente do Rio de Janeiro que o Moro disse que eu quero trocar por questões familiares, não tem nenhum parente meu investigado pela Polícia Federal, nem eu, nem meus filhos, zero. Uma mentira que a imprensa replica o tempo todo dizendo que meus filhos querem trocar o superintendente."

As ofensas dirigidas por Bolsonaro à imprensa na manhã de hoje ocorrem em meio a uma crise institucional com o STF —apontada por lideranças políticas como um possível flerte com o autoritarismo— e dois depois que um fotógrafo do jornal "Estado de S.Paulo" foi agredido com socos, chutes e tapas por simpatizantes do presidente durante uma manifestação pró-governo, em Brasília.

Posteriormente, sem provas, Bolsonaro minimizou o fato e atribuiu as agressões a "algum maluco", possivelmente "infiltrado", que deveria ser punido pela atitude.

Durante os ataques no Alvorada, um apoiador chegou a chamar uma jornalista de louca. Bolsonaro não interferiu. Antes, o presidente já havia feito ataques à imprensa durante a conversa com os apoiadores.

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