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'Covardia' de Bolsonaro com Bebianno incentivou denúncia, diz Marinho

Do UOL, em São Paulo*

27/05/2020 11h24Atualizada em 27/05/2020 18h03

O empresário Paulo Marinho, pré-candidato à prefeitura do Rio de Janeiro pelo PSDB, afirmou hoje no UOL Entrevista que a demissão de Gustavo Bebianno da Secretaria-Geral da Presidência da República motivou suas denúncias contra o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos), filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e de quem é suplente no Senado.

Na avaliação de Marinho, a demissão de Bebianno teve "requintes de covardia" com o então aliado, que foi braço direito do presidente em sua campanha eleitoral de 2018 e morreu após um infarto em março deste ano.

Na conversa com a colunista do UOL Constança Rezende, Marinho acrescentou que a saída do ex-ministro da Justiça Sergio Moro do governo federal foi um motivo adicional para que ele revelasse detalhes da campanha de Jair Bolsonaro (sem partido) à presidência.

A demissão do Gustavo do governo, o presidente Bolsonaro, tanto ele quanto os filhos, foram em um requinte de covardia com o Bebianno que é uma coisa indescritível
Paulo Marinho (PSDB), empresário e suplente de Flávio Bolsonaro no Senado

O "requinte" citado por Marinho tem relação com as críticas de Carlos Bolsonaro, também filho do presidente e acusado de ser uma das peças principais do chamado gabinete do ódio. À época da demissão, Carlos chegou a afirmar que Bebianno propagava notícias falsas.

Sem entrar em detalhes, o empresário afirmou que Bebianno "sofria muitas ameaças". "Quando ele chegou ao governo, solicitou uma autorização de porte de arma, concedido a ele por um prazo de cinco anos. E desde então ele andava armado", revelou.

Sobre Moro, Marinho afirmou que também tentaram "macular" a imagem do ex-juiz. "Outra questão: quando [houve a demissão] do juiz Moro, que prestou tanto ao país, na hora que ele deixa de ser do interesse da família Bolsonaro, eles, no estilo do gabinete do ódio, querem acabar com a credibilidade do ministro", completou.

Na entrevista, Marinho ainda afirmou que sua denúncia contra Flávio Bolsonaro veio a custo de um sacrifício pessoal imenso. "Imagine contar uma história como essa que envolve um senador da República, um presidente da República e um bando de loucos apoiando esse projeto político?", disse Marinho.

'Doria me ligou e eu aceitei'

Marinho também afirmou que jamais teve a intenção de ser pré-candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro. "Eu nunca tive intenção de ser candidato no Rio. Gustavo Bebianno se filiou ao partido por convite do João Doria. Acho que ele faria uma ótima eleição. Seria para nós do PSDB o melhor candidato possível."

Nós tivemos uma tragédia muito grande [a morte de Bebianno], tragédia pessoal para mim e para o partido. Aí o Doria me ligou e disse que eu seria o melhor candidato no momento e eu aceitei

Segundo ele, a divulgação das denúncias não tem qualquer reação com a disputa eleitoral. "Me tornei pré-candidato sem nunca ter pensado nessa possibilidade. Essas acusações não têm sentido", explicou.

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'Não aceitaria nenhum convite'

O empresário, que agora figura como um ex-aliado que se voltou contra a família Bolsonaro, afirmou que não recebeu nenhum convite do governo federal, a despeito de ser suplente de Flávio no Senado.

Nunca recebi nenhum convite (do governo Bolsonaro) e se tivesse recebido não teria aceito

"Eu estava apoiando o João Doria, um homem que eu acho preparado para ser presidente da República. E aí apareceu na minha vida, trazido pelo Bebianno, o capitão Bolsonaro. E achei que ele poderia encarnar aquele sentimento do antipetismo", afirmou.

Assista à integra da entrevista:

*Participaram desta produção Constança Rezende, Diego Henrique de Carvalho, Alex Tajra, Beatriz Sanz e Andréia Martins

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