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Medalha a Jair: Laço de Castro com família Bolsonaro começou em 2004 no Rio

Cláudio Castro, governador em exercício do Rio de Janeiro - Folhapress
Cláudio Castro, governador em exercício do Rio de Janeiro Imagem: Folhapress

Maria Luisa de Melo

Colaboração para o UOL, no Rio

07/09/2020 04h00

Em movimento de aproximação com a família Bolsonaro desde o afastamento do ex-juiz Wilson Witzel (PSC) do governo do Rio de Janeiro, suspeito de participar de um esquema de corrupção, o governador em exercício Cláudio Castro (PSC) mantém relação antiga com os filhos do presidente.

Além de ter recebido uma ligação do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) colocando-se à sua disposição, contou com seu auxílio para ser recebido na última semana por Paulo Guedes, ministro da Economia. Na ocasião, anunciou a prorrogação do regime de recuperação fiscal do estado por mais "quatro ou seis meses".

Ainda em 2004, conheceu Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), quando tornou-se chefe de gabinete do então vereador Márcio Pacheco (PSC) na Câmara Municipal do Rio. Carlos já era vereador. Em 2016, após conquistar sua própria cadeira de vereador na Câmara do Rio, assinou projetos junto com o filho 02 de Bolsonaro, seu correligionário, e por quem foi liderado na bancada do PSC.

Castro também foi um dos autores de iniciativa para conceder a Medalha Tiradentes (mais alta honraria da Câmara Municipal) a Flávio e Jair Bolsonaro, em novembro de 2018, logo depois de eles se elegerem para o Senado e a Presidência, respectivamente.

"Com o afastamento do Witzel, Castro foi procurado institucionalmente pelo Flávio, que é senador da República, oferecendo ajuda ao estado do Rio de Janeiro. A família gosta muito do Cláudio, mas ele só conhece o Carlos e o Flávio. Nunca esteve com o Jair", conta um amigo próximo. "Essa movimentação toda dele com o governo federal é pelo Rio."

Apesar de pessoas próximas ao governador em exercício afirmarem que sua aproximação com a família Bolsonaro é recente, visando obter apoio econômico ao Rio de Janeiro que está em Regime de Recuperação Fiscal, fontes do Palácio Guanabara dão conta de que, mesmo antes do afastamento de Witzel, Castro já ensaiava um estreitamento de laços.

"Existe uma boa vontade muito grande com o Castro desde o rompimento de Bolsonaro com Witzel. Mas, agora, com o afastamento deste, o próprio Flávio marcou uma reunião do Castro com o Paulo Guedes. Está fazendo de tudo para ajudar", contou um senador do Rio.

Entre projetos de lei, emendas constitucionais, requerimentos e moções, constam no site da Câmara do Rio pelo menos cinco parcerias assinadas em conjunto por Castro e Carlos.

Já a convivência com Flávio teve início anos mais tarde, quando passou a chefiar o gabinete de Márcio Pacheco (PSC) na Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro).

Márcio, grande amigo de Castro, a quem chama de "irmão", é um dos 20 deputados estaduais investigados pelo MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) sob suspeita de praticarem "rachadinha" — devolução de parte de salários pago aos servidores de um gabinete parlamenta. Segundo o MP-RJ, o esquema no gabinete de Pacheco teria movimentado R$ 1 milhão. Ele foi apontado como autor intelectual do esquema. Pacheco nega ter se "beneficiado, apropriado ou consentido com desvio de recurso público".

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