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15 dias

Bolsonaro ameaça acionar Forças Armadas contra medidas de governadores

"O nosso Exército, as nossas Forças Armadas, se precisar, nós iremos para as ruas", declarou Bolsonaro, à TV A Crítica - Reprodução
"O nosso Exército, as nossas Forças Armadas, se precisar, nós iremos para as ruas", declarou Bolsonaro, à TV A Crítica Imagem: Reprodução

Do UOL, em São Paulo

23/04/2021 23h35Atualizada em 24/04/2021 11h28

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ameaçou acionar as Forças Armadas contra medidas de restrição estabelecidas por governadores para combater a pandemia da covid-19, durante entrevista concedida à TV A Crítica, no Amazonas.

"O que eu me preparo, não vou entrar em detalhes... O caos no Brasil. Já falei que essa política do lockdown, do toque de recolher, essa política de 'fique em casa'... Isso é um absurdo", criticou Bolsonaro, após ser questionado pelo apresentador se já não estaria na hora de uma reação mais enérgica dele, na linha, "ora, vamos parar com isso". (Assista ao vídeo abaixo, a partir do trecho 16min12seg)

Se tivermos problemas, nós temos um plano de entrar em campo. Eu sou o chefe supremo das Forças Armadas. O nosso Exército, as nossas Forças Armadas, se precisar, nós iremos para as ruas. Mas não para manter o povo dentro de casa, e sim para restabelecer todo o artigo 5º da Constituição. Se eu decretar isso, vai ser cumprido este decreto. Então, as nossas Forças Armadas podem ir para a rua um dia, sim, dentro das quatro linhas da Constituição para fazer cumprir o artigo 5º, direito de ir e vir, acabar com essa covardia de toque de recolher, [garantir o] direito ao trabalho, liberdade religiosa de culto, para cumprir tudo aquilo que está sendo descumprido por parte de alguns governadores e alguns poucos prefeitos."

O artigo 5º da Constituição Brasileira, citado por Bolsonaro na entrevista, diz que "todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade".

Bolsonaro tem feito críticas constantes às medidas restritivas e aos governadores, que, por sua vez, aumentaram a pressão sobre o presidente diante da ineficiência do governo federal no combate à pandemia. Em março, por exemplo, ele criticou o toque de recolher decretado pelo governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), para conter a transmissão do coronavírus.

Nas últimas semanas, o Brasil viu a explosão no número de casos e mortes em decorrência da covid-19. Há 38 dias, desde 17 de março, o índice de mortes tem se mantido acima de 2.000. A taxa é atualizada com base na última atualização do consórcio de veículos de imprensa, do qual o UOL faz parte, junto às secretarias estaduais de saúde.

Crítica ao STF

Na entrevista, o presidente voltou a criticar o que considera um "poder excessivo que lamentavelmente o STF (Supremo Tribunal Federal) delegou". Para Bolsonaro, qualquer decreto de governador e prefeito "leva um transtorno à sociedade".

"Agora o que acontece? Eu não posso extrapolar, e isso alguns querem que a gente extrapole. Eu estou junto com meus 23 ministros, você pega da Damares ao Braga Netto, todos, 23, praticamente conversados sobre isso aí, o que fazer se um caos generalizado se instalar no Brasil pela fome, pela maneira covarde como alguns querem impor essas medidas", afirmou.

Imunização de rebanho

Para Bolsonaro, com a vacinação caminhando logo se chegará à imunização de rebanho e o Brasil poderá tirar a máscara, afirmando que quem diz que a proteção facial não incomoda é mentiroso.

O país superou a marca de 28.765.257 brasileiros que receberam pelo menos uma dose de imunizante contra a doença, o que equivale a 13,58% da população, segundo dados são do consórcio de veículos de imprensa do qual o UOL faz parte.

Importância da reforma tributária

Durante a entrevista, Bolsonaro também reconheceu a importância da reforma tributária, mas destacou que se deve buscar um projeto que seja aprovado pelo Congresso.

Ele disse que tem conversado com o ministro da Economia, Paulo Guedes, insistindo nesse ponto, que não deve ser o que o ministro quer, mas o que possa ser aprovado pelos parlamentares.

Mas até agora, mesmo Guedes só apresentou ao Congresso parte do que seria sua proposta de reforma tributária. O tema está sendo discutido em uma comissão mista de deputados e senadores.

*Com informações da agência Reuters

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