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1 mês

Secom autônoma, Pfizer sem resposta: falas de Wajngarten na CPI da Covid

CPI da Covid ouve o ex-secretário especial de Comunicação Social da presidência, Fabio Wajngarten - Edilson Rodrigues/Agência Senado
CPI da Covid ouve o ex-secretário especial de Comunicação Social da presidência, Fabio Wajngarten Imagem: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Do UOL, em São Paulo

12/05/2021 10h56Atualizada em 12/05/2021 16h04

O ex-secretário das Comunicações da Presidência, Fabio Wajngarten, participou hoje da CPI da Covid. O testemunho do ex-secretário vem na sequência dos depoimentos do presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitaria), Barra Torres, dos ex-ministros da Saúde Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich e do atual chefe da pasta, Marcelo Queiroga.

Demitido do governo Bolsonaro em meio a suspeitas de corrupção, Wajngarten é um dos depoimentos mais aguardados na CPI após a entrevista que deu à revista Veja acusando o ex-ministério da Saúde Eduardo Pazuello de incompetência nas negociações de compra de vacinas.

No Senado, o ex-secretário disse que o governo federal não foi omisso em campanhas de alerta sobre a pandemia, afirmou que a Secom nunca sofreu interferências do governo e negou ter atuado em qualquer negociação com a Pfizer, mas confirmou ter participado de duas reuniões com o presidente da farmacêutica no Planalto.

Veja frases de Fabio Wajngarten na CPI da Covid:

Gestão na Secom

Eu sempre tive toda a liberdade possível para comandar a Secretaria Especial de Comunicação, sem a interferência de ninguém. Eu vim da iniciativa privada, larguei família, larguei três filhas, uma delas com necessidades especiais, peço perdão a minha esposa por publicar isso, para morar em um hotel, em Brasília. Acordar 3h50, para sair de São Paulo. Ao menor sinal de interferência, eu teria ido embora.
Fabio Wajngarten, ex-secretário das Comunicações da Presidência na CPI da Covid

Vou mais além, Senador, se o senhor me permite, para deixar muito claro: eu vim da iniciativa privada, larguei família, larguei três filhas, uma delas com necessidades especiais - peço perdão à minha esposa por publicitar isso -, para vir morar em um hotel em Brasília, para acordar às 3h50 da manhã, para sair de São Paulo. Ao menor sinal de interferência, eu teria ido embora.
Fabio Wajngarten

Governo Bolsonaro

Participei da luta do governo para combater esta terrível pandemia. A maior crise sanitária do Brasil. Participei da luta, e venceremos. Posso garantir desde já que vou colaborar com o propósito das investigações.
Fabio Wajngarten, na CPI da Covid

Impacta, impacta. É único, não é. Complementando com os outros, impacta.
Fabio Wajngarten sobre as falas do presidente Bolsonaro na pandemia

Não se deve escolher missão. Isso foi um dos aprendizados que tive com o presidente Bolsonaro. O presidente Bolsonaro sobreviveu a um ataque covarde, superou inúmeras cirurgias e muitas semanas de internação médica e nunca desistiu nem nunca perdeu a fé.
Fabio Wajngarten

Relação com Pazuello

A minha área de articulação sempre falava com a área de articulação do Ministro Pazuello. Eu, poucas vezes, como disse na entrevista à revista Veja, conversei com o Ministro Pazuello - não mais do que um bom-dia, um boa-tarde, um boa-noite.
Fabio Wajngarten

Negociação com a Pfizer

A carta foi enviada em 12 de setembro, o dono do veiculo de comunicação me avisa em 9 de novembro que a carta não havia sido respondida. Nesse momento, eu mando um e-mail ao presidente da Pfizer, que consta nessa carta. Respondi a essa carta, no dia em que recebi. Quinze minutos depois, o presidente da Pfizer do Brasil, Carlos Murilo, que virá aqui amanhã me liga. 'Fabio muito obrigado pelo seu retorno'. No dia 9 de novembro, foi o primeiro contato.
Fabio Wajngarten, sobre carta recebida pela Pfizer para negociar doses da vacina

Havia uma promessa da Pfizer, se o Brasil se manifestasse no tempo adequado, ela invidaria os maiores esforços em aumentar a quantidade e diminuir o prazo e foi exatamente isso que exigi deles nos dois outros encontros que tive com eles. Eu atuava sempre de forma reativa e responsiva, nunca de forma proativa para procurar a Pfizer, só para deixar claro.
Fabio Wajngarten

As propostas da Pfizer no início da conversa elas falavam de irrisórias 500 mil doses.
Fabio Wajngarten sobre carta da Pfizer para negociar doses de vacina

Nunca, nunca participei de negociação, Senador. O que eu busquei sempre foi o maior número de vacinas para atender a população brasileira, uma vacina que tinha maior eficácia. Isso foi o que eu busquei sempre com bombardeios da imprensa em cima de mim e com muitos amigos doentes.
Fabio Wajngarten

Aqui estavam dois ex-ministros quie confirmaram a existência de uma consultoria paralela. Feita a pergunta ao depoente, ele disse desconhecer a existência. Mas é o contrário. Vossa excelência é a prova dessa consultoria. Vossa excelência é a primeira pessoa que incrimina o presidente da República porque iniciou uma negociação em nome do ministério da Saúde como secretário de comunicação e se dizendo em nome do presidente. Eu queria, presidente, sugerir a vossa excelência, requisitar o áudio da revista Veja para nós verificarmos se o secretário mentiu ou não mentiu. Se ele não mentiu, a revista Veja vai ter que pedir desculpas a ele. (...) Se ele mentiu à revista Veja e a esta comissão eu vou requerer a vossa excelência, na forma da legislação processual, a prisão do depoente.
Renan Calheros, ao pedir a palavra durante depoimento de Fabio Wajngarten

E sempre de comportamento reativo, Senador. Sempre reativo. Nunca procurei a Pfizer, nunca pedi reunião, nunca, nada. Eu não mandei carta de livre e espontânea vontade, eu nunca pedi reunião, nunca, nada. Sempre me comportei forma reativa para acelerar, encurtar a chegada da melhor vacina naquele momento. A gente não tinha outra perspectiva de vacina. Da CoronaVac, sequer havia sinais de aprovação, enquanto a Pfizer estava aprovada no FDA e com campanhas abertas em Israel, com grande eficácia.
Fabio Wajngarten

Entrevista à revista Veja

Não me recordo se eu fui procurado ou se eu procurei. O que eu explico ao senhor, o que me incomodou demais foram comentários maldosos com relação ao meu comportamento com a Pfizer, e eu não... E eu não permitiria, e eu não me permitiria ser refém dessa situação.
Fabio Wajngarten

Não estou com a revista em mãos, se puder ler o trecho. Reitero aqui, senador, se o senhor me permitir, que, de fato, não só procurei figuras da República como ministro Gilmar Mendes, presidente Fux, doutor Aras, senador Randolfe, outros presidentes de associações, filantropos, donos de veículos, para que pudessem ajudar a viabilizar a compra da Pfizer e tenho muito orgulho. Procurei todas as pessoas que pudessem contribuir para que viabilizassem a compra da Pfizer. Não medi esforços.
Fabio Wajngarten

Campanhas de informação e ações do governo na pandemia

Em março, consta na minha planilha uma campanha do Ministério da Saúde que falava de medidas de prevenção, informações e sintomas, protocolos e orientações. Contudo, de fato, eu me recordo de um vídeo circulando, "O Brasil não pode parar", eu não tenho certeza se ele é de autoria, de assinatura da Secom. Eu não sei se ele foi feito dentro da estrutura ou por algum... E circulou de forma orgânica. Eu não tenho essa certeza, posso confirmar para o senhor.
Fabio Wajngarten

Senador, o protocolo de atendimento ao Covid evoluiu conforme a gente recebeu novos ensinamentos da doença. Repito ao senhor que, quando eu tive Covid em março, não se falava de máscara, não se falava de distanciamento, não se sabia aonde a doença ia parar. À medida que fomos adquirindo, em que as autoridades médicas iam provendo novas informações, a gente comunicava, e a população passava a ser informada paralelamente aos novos protocolos.
Fabio Wajngarten

O Presidente Bolsonaro botou uma Itália inteira em fila na população brasileira, 64 milhões de brasileiros em pé, recebendo o auxílio emergencial através da Caixa, o maior programa social que o Brasil já teve. Então, combinado esse auxílio emergencial, o salário emergencial, com as vacinas, eu entendo que cumprimos o papel. Se Deus quiser, nós vamos sair dessa com o menor... Lamentavelmente, os 425 mil mortos farão falta sempre - sempre. E eu espero que o Brasil retome a vida normal, assim como o mundo inteiro também.
Fabio Wajngarten

Falas de Bolsonaro contra jornalistas

Nunca tiver participação e nem mesmo a Secom. A Secom sempre foi muito técnica... Precisa analisar caso a caso. É muito difícil o senhor reagir quando é algo de uma inverdade jornalística. Eu mesmo fui alvo disso muitas vezes.
Fabio Wajngarten, após ser questionado se as falas do presidente contra jornalistas eram uma estratégia da Secom

Perseguição a jornalistas nunca. O presidente sempre feixou claro que compactua com a maior liberdade de imprensa possível, liberdade de expressão.
Fabio Wajngartens

Vacinas

Sou totalmente a favor da vacina. A maior e a melhor possível. Das que você citou... e eu sou filho de médico. Vacina boa é qualquer uma. Mas, a CoronaVac teve seus resultados adiados por quatro, cinco vezes.
Fabio Wajngarten, na CPI da Covid

Mortes na pandemia

Perdi amigos muito próximos. Um desses era um dos mais notáveis senadores que passou por essa Casa, o senador Major Olímpio, morto prematuramente, em plena ascensão política. Fiz o que pude no momento de sua internação. Acompanhei de perto a aflição e a dor da família e da esposa Cláudia, com a qual falei dois dias antes dele falecer, oferecendo remoção para outro hospital. Dona Cláudia disse que ele não tinha condição de ir para a sala do lado, fazer uma tomografia.
Fabio Wajngarten

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