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Conteúdo publicado há
1 mês

Carta da Pfizer ficou 2 meses sem resposta, diz Wajngarten à CPI da Covid

Rayanne Albuquerque e Hanrrikson de Andrade*

Do UOL em São Paulo e em Brasília

12/05/2021 11h37Atualizada em 12/05/2021 14h06

O ex-secretário de Comunicação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) Fábio Wajngarten confirmou em depoimento à CPI da Covid na manhã de hoje que realizou reuniões com o presidente da Pfizer no Palácio do Planalto, em Brasília.

Os questionamentos foram feitos pelo relator da Comissão Parlamentar de Inquérito, Renan Calheiros (MDB-AL), durante a quinta sessão de oitivas realizadas pelo colegiado. Wajngarten foi perguntado sobre ter ou não competências para negociar com a farmacêutica.

O ex-secretário confirmou ter aberto "as portas do Planalto" para que as negociações sobre o imunizante contra a covid-19 fossem realizadas.

Wajngarten também confirmou que uma carta enviada pela Pfizer e endereçada ao governo ficou dois meses parada. No documento, a farmacêutica pedia ao governo brasileiro celeridade nas negociações e manifestava interesse em colaborar com o Brasil.

Renan Calheiros questionou: "Vossa senhoria relatou que abriu as portas do Planalto aos diretores da Pfizer e os trouxe a Brasília para varias reuniões. Onde essas reuniões ocorreram?", ao que o ex-secretário de Bolsonaro respondeu:

A carta foi enviada em 12 de setembro, o dono do veiculo de comunicação me avisa em 9 de novembro que a carta não havia sido respondida. Nesse momento, eu mando um e-mail ao presidente da Pfizer, que consta nessa carta. Respondi a essa carta, no dia em que recebi. Quinze minutos depois, o presidente da Pfizer do Brasil, Carlos Murilo, que virá aqui amanhã - respondi para Nova Iorque - me liga. 'Fabio muito obrigado pelo seu retorno'. No dia 9 de novembro, foi o primeiro contato
Fábio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação do governo Bolsonaro

Sobre os ministérios que Wajngarten havia acionado para tratar sobre os assuntos relacionados à pandemia, ele afirmou que a Secom tinha uma área de articulação, mas que, pessoalmente, não tratou com outros ministros. No entanto, o ex-secretário alegou ter sido muito próximo ao Ministro Ramos, "sempre muito próximo da Casa Civil".

Discussão na CPI

Ao ser questionado sobre uma reportagem publicada na revista Veja, em que Wajngarten declarou que havia erros na gestão federal no enfrentamento à pandemia e "incompetência" do ex-ministro Eduardo Pazuello na condução da pasta, o publicitário rebateu os questionamentos de forma reativa e pediu que todas as dúvidas referentes ao presidente Jair Bolsonaro fossem enviadas ao chefe do Executivo nacional.

Diante dos desvios de resposta, o senador Omar Aziz, presidente da Comissão, chegou a suspender a sessão por alguns minutos. Na retomada, o assunto voltou a ser pauta do colegiado e Wajngarten voltou a negar os depoimentos.

Para tirar as dúvidas, Renan Calheiros afirmou que pedirá à Veja que o áudio da entrevista seja entregue para a comissão.

Perda de influência

Wajngarten tem perdido influência no Ministério das Comunicações, chefiado no momento por Fábio Faria. Servidores da pasta ouvidos ontem pelo UOL confirmaram que indicados por ele na pasta deverão ser trocados por nomes ligados ao vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro (Republicanos).

O almirante Flávio Rocha não trocou os nomes indicados por Wajngarten durante sua gestão. O sucessor foi retirado da função após Carlos Bolsonaro considerar que o militar mantinha uma "estratégia errada de comunicação".

O filho de Jair Bolsonaro é um dos responsáveis por mapear as possíveis alterações no ministério, segundo o ministro da Justiça, Anderson Torres.

* Com a colaboração de Ana Carla Bermúdez

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.