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Cotidiano

O que se sabe sobre a caçada a Lázaro Sousa, suspeito de chacina no DF

Eduardo Militão

Do UOL, em Brasília

15/06/2021 17h55Atualizada em 15/06/2021 20h28

Há três dias, mais de 200 policiais tentam prender Lázaro Barbosa de Sousa. Condenado por um homicídio, um estupro e um roubo, ele é suspeito de ter assassinado quatro pessoas da mesma família numa zona rural no Distrito Federal, na semana passada.

Agora, enquanto tenta localizar o homem de 32 no entorno de Brasília, a polícia soma algumas peças do "quebra-cabeça" para tentar entender como e porque os crimes aconteceram.

A relação abaixo mostra que as investigações levantaram mais dúvidas do que certezas até o momento.

O que se sabe

  1. Sousa é o principal suspeito da morte das quatro vítimas da família Vidal, no Incra 9, em Ceilândia, no Distrito Federal, na quarta-feira (9) passada
  2. Ele invadiu duas fazendas em Cocalzinho (GO) no sábado (12)
  3. Numa delas, obrigou um caseiro a fumar maconha, segundo a PM do Distrito Federal
  4. Na outra, baleou três pessoas, segundo a PM
  5. Ele tentou fugir num Corsa vermelho no domingo
  6. Sousa tem extensa ficha criminal e condenações por homicídio e estupro na Justiça
  7. Ele é ligado a uma espécie de seita, segundo três fontes da PM de Goiás

O que ainda não se sabe

  1. Onde está Sousa? Está mesmo em Goiás, no entorno de Brasília? Voltou para o Distrito Federal? Fugiu para outro estado?
  2. Se ele é mesmo o assassino da família Vidal, o que motivou o crime? Por que sequestrou a mulher de Cláudio Vidal e a matou depois?
  3. Por que Sousa obrigou um caseiro de Cocalzinho a fumar maconha?
  4. Ele possui algum distúrbio mental?
  5. Os supostos rituais de Sousa têm ligação com os assassinatos?
  6. Quem é o dono do Corsa vermelho usado por Sousa na tentativa de fuga no domingo?
  7. O homem que entrou em confronto com um chacareiro na segunda-feira (14) era mesmo Sousa?
  8. Por que mais de 200 policiais não conseguem capturar um homem há três dias? Que técnicas Sousa usa para escapar de um cerco tão grande?

Busca por informações

O UOL conversou hoje com agentes de segurança que trabalham diretamente nas buscas de Sousa ou ajudam com informações a distância. Um deles disse que é provável que o suspeito de matar a família Vidal esteja mesmo ainda na região do Entorno da capital federal, perto de Cocalzinho, Edilândia e Águas Lindas.

Um agente da Polícia Civil avaliou que há poucas informações relevantes chegando ao Disque Denúncia, mesmo depois da divulgação da fotografia de Sousa. Por isso, é maior a chance de ele continuar escondido em matas. Se estivesse em zona urbana, seria identificado rapidamente.

Sousa é baiano de Barra do Mendes, a 500 quilômetros de Salvador. Mas esse agente destacou que o homem viveu por alguns anos na região de Cocalzinho, 110 quilômetros a oeste de Brasília. Por isso, ele teria facilidade em se esconder nas matas do local. Na avaliação do policial, o foragido da Justiça pode estar escondido próximo a um curso d'água: a região possui algumas cachoeiras nas proximidades.

Caseiro diz ter visto Sousa; polícia investiga

Na noite de segunda-feira, um caseiro de Cocalzinho disse aos policiais que Sousa tentou entrar na sua chácara. Ele conversou com os policiais, que filmaram o diálogo, revelando que gritou para seu cunhado. Eles atiraram contra o suspeito. "Eu gritei: 'Liga para polícia que o cara tá aqui'. Aí ele falou: 'Então, eu vou entrar'. Foi a hora que ele veio e atirou. Ele disse: 'Você me acertou, vou te matar'", continuou o caseiro.

No entanto, dois investigadores disseram ao UOL que não é possível afirmar que o homem atingido pelo caseiro e por seu cunhado era mesmo Sousa.

Motivação dos crimes é incerta

Outra dúvida é sobre as motivações de Sousa ao cometer os crimes. Não se sabe se ele queria apenas cometer assaltos e algo deu errado no momento dos roubos. Outra hipótese, mais remota, seria a de que rituais "espiritualistas", como define a PM de Goiás, teriam relação com os homicídios.

No caso da família Vidal, os investigadores trabalham com a hipótese de que Sousa tenha fica irritado com uma atitude das vítimas no crime de Ceilândia, na quarta-feira passada (9). Eles receberam a informação de que o foragido viu a mulher de Cláudio Vidal, Cleonice Marques, tentando telefonar para pedir socorro.

Sousa, então, teria decidido matar Cláudio Vidal e os dois filhos. Daí, sequestrou Cleonice e a matou depois. O corpo dela foi encontrado pelos investigadores apenas no sábado (12).

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