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Conteúdo publicado há
1 mês

Bolsonaro se refere a Covas como 'o que morreu'; Doria cita desumanidade

Do UOL, em São Paulo

02/08/2021 19h23Atualizada em 03/08/2021 11h13

O presidente Jair Bolsonaro voltou a criticar nesta manhã as medidas adotadas por prefeitos e governadores para conter a covid-19, e se referiu ao ex-prefeito de São Paulo Bruno Covas, morto em maio deste ano em decorrência de um câncer, como "o outro que morreu". A fala gerou críticas do PSDB e do governador de São Paulo, João Doria (PSDB).

"Um fecha São Paulo e vai para Miami. O outro, que morreu, fecha São Paulo e vai ver Palmeiras e Santos no Maracanã. Esse é o exemplo", disse Bolsonaro a apoiadores, em vídeo publicado pelo portal Metrópoles.

Em janeiro deste ano, Covas foi visto no estádio carioca na final da Copa Libertadores, ao lado do filho adolescente. Na época, ele se justificou pelas redes sociais, dizendo que era um sonho dele e do filho.

"Depois de tantas incertezas sobre a vida, a felicidade de levar o filho ao estádio tomou uma proporção diferente para mim. Ir ao jogo é direito meu", disse no Instagram.

Para João Doria, a fala mostrou "desumanidade". "A desumanidade de Bolsonaro, agredindo de forma covarde Bruno Covas, só demonstra ainda mais sua falta de respeito pelos vivos e pela memória dos mortos", escreveu ele no Twitter.

O PSDB condenou a declaração em nota. "Bolsonaro demonstra desespero e medo do próximo ano, por isso desfere ataques, inclusive, aos que não podem se defender", diz o comunicado, assinado pelo presidente do diretório paulistano da legenda, Fernando Alfredo.

Veja a íntegra da nota do partido:

"O outro lá que morreu", esta é a forma como o presidente se refere ao Prefeito Bruno Covas, que faleceu aos 41 anos vítima de um câncer. A forma como ele se refere ao Prefeito da maior capital que foi reeleito, entre tantos adjetivos, também por seu enfrentamento contra o coronavírus.

Mas o que se esperar de um Chefe do Executivo que zomba da dor alheia, que ignora os enlutados, ironiza doentes e deixa sua nação morrer e passar fome? Já são 550 mil e não vamos esquecer!

Condenamos veementemente as declarações de Bolsonaro sobre nosso líder Bruno Covas e por seu exemplo seguiremos lutando pela vida, contra a política do ódio.

Bolsonaro demonstra desespero e medo do próximo ano, por isso desfere ataques, inclusive, aos que não podem se defender. É fácil falar de dentro do seu cercadinho no Planalto, para o seu curral, queremos ver nos debates que, aliás, ele sempre foge.

Para todo ato de covardia, resistiremos com a coragem de um povo que não foge à luta. Por Bruno Covas. Pela democracia. Por um Brasil livre da estupidez.

Fernando Alfredo
Presidente do Diretório Municipal do PSDB/SP

O governo Bolsonaro teve início em 1º de janeiro de 2019, com a posse do presidente Jair Bolsonaro (então no PSL) e de seu vice-presidente, o general Hamilton Mourão (PRTB). Ao longo de seu mandato, Bolsonaro saiu do PSL e ficou sem partido. Os ministérios contam com alta participação de militares. Bolsonaro coloca seu alinhamento político à direita e entre os conservadores nos costumes.