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Em áudio vazado, Aziz chama ministro de 'petulante pra caralho'

Colaboração para o UOL, em São Paulo

21/09/2021 15h02Atualizada em 21/09/2021 19h26

O presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), se irritou com uma das respostas de Wagner Rosário, ministro da Controladoria-Geral da União (CGU) e, em intervenção fora do microfone, chamou Rosário de "petulante para caralho".

A fala aconteceu após uma resposta de Wagner Rosário sobre a data da solicitação da CGU para o compartilhamento das informações apuradas pelo Ministério Público Federal do Distrito Federal sobre suspeitas de irregularidades em contrato com a Covaxin.

"Não sei se o senhor já participou de alguma investigação, mas você não passa um scanner na hora da busca e apreensão e saem os dados aparecendo, não. Tem que ter análise, tem que levar tempo", disse Wagner Rosário após ser questionado por Aziz sobre a solicitação.

Então, o senador Otto Alencar (PSD-BA) chamou o ministro de "petulante", e foi seguido por Aziz. "Petulante pra caralho", disse o presidente da CPI fora do microfone.

O senador Rogério Carvalho (PT-SE) também reclamou da forma que o ministro, Wagner Rosário, se comunicou durante a resposta.

"Presidente, por favor. Se a petulância do depoente for do tamanho da competência, nós estamos muito bem servidos, porque é muito petulante", ironizou ele.

Bate-boca

O depoimento do ministro da CGU foi marcado por muita irritação e alguns bate-boca entre o depoente e senadores da CPI. Em diversos momentos, senadores de oposição e independentes entraram em conflito com o ministro. O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) chegou a dizer "baixe o tom" e a ficar com o dedo em riste ao se direcionar a Wagner Rosário.

Durante todo o dia, o ministro e o relator da CPI, Renan Calheiros, divergiram e discutiram sobre diversos assuntos. Em um dos momentos mais tensos, o ministro chegou a dizer que Renan estava "repetindo uma coisa que não tem ligação nenhuma com a verdade" quando o relator acusou Wagner Rosário de "tornar regular" o contrato do governo com a Precisa.

"Eu acho que é a décima vez que o senhor repete que eu disse que o documento era regular e o senhor não traz nenhum documento com a minha fala sobre isso. Eu não falei isso", disse o ministro. "O senhor tem a obrigação de falar a verdade aqui".

Repasses a estados e municípios

O requerimento de convocação do ministro Wagner Rosário foi aprovado pela comissão em junho. O autor do pedido é Eduardo Girão (Podemos-CE), senador que se declara independente, mas é tido nos bastidores como aliado do governo na CPI.

Desde que protocolou o pleito e recebeu aval do plenário, Girão vinha cobrando da cúpula da CPI o agendamento da oitiva com o chefe da CGU.

Os planos do parlamentar, no entanto, nada têm a ver com o foco da abordagem defendida por Aziz e outros membros da oposição. A ideia, de acordo com o requerimento original, é o que ministro fale a respeito das operações da Polícia Federal que identificaram suspeitas de corrupção em estados e municípios com verbas destinadas ao combate à pandemia.

Seriam, segundo a CGU informou anteriormente, 53 ações especiais que apuram a possibilidade de desvio de recursos por parte de governos locais. Eduardo Girão afirma que o montante dos contratos sobre os quais recaem suspeitas chegaria a R$ 1,6 bilhão.

"O prejuízo efetivo apurado até agora atingiu quase R$ 39,2 milhões, e o prejuízo potencial é de R$ 124,8 milhões. Assim, o prejuízo total pode alcançar R$ 164 milhões."

Ainda de acordo com o senador, a Polícia Federal e o Ministério Público expediram 778 mandados de busca e apreensão e 67 mandados de prisão temporária nas operações que apuram indícios de corrupção em estados e municípios.

Das 472 pessoas físicas investigadas, 129 são agentes públicos. As operações especiais apuram a participação de 291 pessoas jurídicas em irregularidades. São 51 órgãos públicos, 228 empresas privadas e 12 entidades sem fins lucrativos.

*Com informações da Agência Senado

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.