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Conteúdo publicado há
15 dias

Advogada diz que médicos da Prevent tinham que cantar hino da empresa

Do UOL, em São Paulo

28/09/2021 16h43Atualizada em 28/09/2021 17h38

A advogada Bruna Morato, que representa médicos da Prevent Senior, afirmou hoje em depoimento à CPI da Covid que os médicos da operadora de saúde eram obrigados a cantar o hino da empresa em alguns eventos.

"A Prevent Senior tem uma política um tanto quanto diferente. Há descrição de que nos anos de 2015, 2016 e 2017, a Prevent Senior em alguns eventos propagava um hino, que era o 'hino dos guardiões', e esses médicos eram obrigados a cantar o hino com a mão no peito", afirmou ela à Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado.

Segundo Bruna Morato, nas ocasiões em que isso se deu, os donos da empresa, Eduardo e Fernando Parrillo, que são também músicos da banda Doctor Pheabes, tocavam a música, enquanto os profissionais cantavam.

A advogada disse que não teve acesso à letra do hino, mas pediu aos médicos que compartilhassem este conteúdo. "Acredito que seja muito importante para conhecimento da ideologia da empresa", argumentou.

A revelação feita por Bruna Morato veio após questionamentos do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) que também iam no sentido de entender os princípios orientadores da operadora de saúde. Randolfe havia questionado Bruna sobre a existência de um lema da empresa e ela confirmou que é "lealdade e obediência".

Na parte da manhã de seu depoimento, Bruna chegou a dizer que "onde existe uma ideologia de lealdade e obediência, não existe autonomia".

A Prevent Senior foi questionada pelo UOL sobre a obrigação de cantar o hino imposta aos profissionais da empresa, mas não se manifestou.

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.