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Médico diz que não viu, mas 'ouviu falar' de reduzir oxigênio na Prevent

07.out.21 - Médico Walter Correa de Souza Neto presta depoimento na CPI da Covid - Pedro França/Agência Senado
07.out.21 - Médico Walter Correa de Souza Neto presta depoimento na CPI da Covid Imagem: Pedro França/Agência Senado

Colaboração para o UOL, em São Paulo

07/10/2021 18h28

O médico Walter Correa, que foi funcionário da Prevent Senior e prestou depoimento nesta quinta-feira à CPI da Covid, afirmou que nunca viu, mas já "ouviu falar" na prática de redução de oxigênio de pacientes com covid-19, que foi denunciada por Bruna Morato, advogada que representa ex-médicos da operadora.

Walter Correa foi questionado pelo senador Alessandro Viera (Cidadania-SE) se ele já tinha sido orientado a reduzir oxigênio de algum paciente. O ex-médico disse que, como trabalhava no pronto atendimento, nunca teve contato com a prática. Quando perguntado se ele já tinha "ouvido falar", Walter relutou, mas respondeu:

"É mais complicado dizer isso para o senhor. Sim, a gente ouviu falar. A minha preocupação é me complicar, mas ouvi. Sim, a gente ouvia essas histórias lá, sim", disse ele.

Em depoimento à CPI da Covid na última semana, a advogada Bruna Morato citou o fato, que, segundo ela, foi denunciado por um de seus clientes.

Essa informação não consta na denúncia. Foi uma informação que eu recebi posterior a denúncia. E o relato foi o seguinte: de que pacientes internados em determinadas unidades de terapia intensiva, cuja internação tivesse mais de 10 ou 14 dias, a esses pacientes o procedimento indicado era a redução da oxigenação, ou seja, eles iam reduzindo o nível dos respiradores Bruna Morato durante depoimento à CPI

Ao UOL a assessoria da Prevent Senior chamou a declaração de Bruna de "loucura". "Compramos 240 respiradores extras na pandemia. Investimentos de R$ 20 milhões. Não faltou assistência a ninguém", disse a empresa.

A CPI da Covid foi criada no Senado após determinação do Supremo. A comissão, formada por 11 senadores (maioria é independente ou de oposição), investiga ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus e repasses federais a estados e municípios. Tem prazo inicial (prorrogável) de 90 dias. Seu relatório final será enviado ao Ministério Público para eventuais criminalizações.