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Política

Deputado cobra governo sobre programa espião DarkMatter

Lucas Valença

Do UOL, em Brasília

17/01/2022 15h21Atualizada em 17/01/2022 16h35

O deputado federal Ivan Valente (PSOL) entrou com pedidos de informação ao governo para saber mais sobre a tentativa do "gabinete do ódio" de adquirir a ferramenta espiã DarkMatter.

"Gabinete do ódio" é o nome dado a um grupo de assessores que trabalham no Palácio do Planalto com foco nas redes sociais, inclusive na gestão de páginas de apoio à família Bolsonaro que difundem desinformação e atacam adversários políticos do presidente.

Como revelou o UOL hoje, um emissário do vereador carioca Carlos Bolsonaro (Republicanos) que integrou a comitiva presidencial durante a viagem de Jair Bolsonaro (PL) a Dubai, em novembro de 2021, aproveitou a ocasião para começar as tratativas para a aquisição do software, que é produzido pela empresa que também se chama DarkMatter.

Nos pedidos enviados ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, ao GSI (Gabinete de Segurança Institucional), ao comando do Exército e à Presidência da República, Ivan Valente pede informações sobre as "reuniões realizadas" por funcionários do governo "com representantes das empresas DarkMatter, Polus Tech e NSO Group (desenvolvedor do poderoso artefato Pegasus).

"Solicito, ainda, os registros de entrada e saída de representantes das referidas empresas nas dependências destes órgãos, desde janeiro de 2019", diz o pedido.

O parlamentar da oposição também pede às instituições a relação das pessoas que integraram as comitivas presidenciais e de funcionários públicos que estiveram em Dubai durante o ano de 2021.

Procurados pela reportagem, o vereador Carlos Bolsonaro, o GSI e o Palácio do Planalto não responderam aos questionamentos enviados. O UOL se coloca à disposição para manifestações futuras.

Negociações em curso

O encontro entre o representante brasileiro e um funcionário da DarkMatter ocorreu no stand de Israel na feira Dubai AirShow durante a viagem do presidente Bolsonaro. A reunião, porém, foi marcada devido à normalização das relações entre os Emirados Árabes Unidos e Israel, em 2020.

Composta, em sua maioria, por programadores israelenses egressos da Unidade 8200, força de hackers de elite vinculada ao exército de Israel, a DarkMatter tem sede em Abu Dhabi e desenvolveu sistemas capazes de invadir computadores e celulares de alvos, inclusive desligados.

Já a Polus Tech, uma segunda companhia procurada pelo "gabinete do ódio", tem como CEO o programador israelense Niv Karmi, um dos ex-fundadores da NSO Group, empresa dona da poderosa ferramenta espiã Pegasus (Niv é o "N" da sigla NSO).

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