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Política

Com Collor no palanque, Bolsonaro critica 'velha política' no Nordeste

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, em Brasília

17/05/2022 12h14Atualizada em 17/05/2022 15h42

O presidente e pré-candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL) afirmou hoje considerar que a população nordestina está "cada vez mais se libertando" da "velha política". O discurso foi feito durante agenda em Propriá, em Sergipe, onde ele subiu no palanque ao lado de personagens como o senador e ex-presidente Fernando Collor (PTB-AL) —figura tradicional da política alagoana e que se encaixaria na chamada "velha política".

Disse Bolsonaro: "O Nordeste é nosso. Mais do que uma obra entregue hoje aqui, 120 quilômetros de duplicação da BR-101, a satisfação de cada vez mais ver o nosso povo se inteirando e conhecendo a política nacional. Ver cada vez mais o interesse de vocês pelo destino da nossa nação. Vê-los também, cada vez mais, se libertando da velha política brasileira."

"Nós temos como fazer juntos um Brasil diferente. Ou melhor, já estamos fazendo dessa forma", completou ele em Propriá, onde foi inaugurado um trecho de 40 quilômetros de duplicação na rodovia BR-101 (entre as cidades sergipanas de Propriá e Capela, localizadas próximas à divisa com o Alagoas).

Aliado ao bloco conhecido como centrão desde os primeiros meses da pandemia do covid-19 no Brasil, em 2020, Bolsonaro atualmente está cercado por vários quadros que poderiam compor a "velha política" criticada por ele.

Um exemplo no coração do governo federal é o veterano Ciro Nogueira (PP-PI), que é ministro da Casa Civil e responsável pelas articulações junto ao Congresso.

Em julho de 2021, pressionado por críticas de que a união à "velha política" representava um gesto contraditório, Bolsonaro afirmou em entrevista à imprensa que "nasceu" do bloco. Também argumentou que, para ter governabilidade, fazia-se necessário negociar com os partidos que remam de acordo com a maré na política.

"Quando eu coloco um militar dentro do governo, há críticas também. Se você tem crítica a deputado do centro, não vote mais nesses candidatos por ocasião das próximas eleições. É simples a coisa. Se vocês votam, eu converso com eles. Eu converso com todos parlamentares, é meu papel", disse à época.

A denominação "centrão" surgiu na política nacional em referência a partidos que, segundo críticos, não têm um interesse programático, mas são conhecidos para negociar cargos e favores. No geral, as siglas do centrão são ideologicamente conservadoras, com histórico de associação a diferentes governos.

Afagos com Collor

Essa não foi a primeira vez que Bolsonaro subiu no palanque com Collor durante agenda no Nordeste. Em janeiro de 2021, o presidente trocou afagos com o senador e antecessor no cargo.

Depois de fazer agradecimentos, Bolsonaro se dirigiu a Collor como "presidente" e afirmou que, para atuar na política e lidar com pressões e críticas, é necessário ter "couro grosso".

Pouco antes, Collor havia elogiado o atual governante e minimizado a repercussão do episódio sobre a compra de leite condensado por parte da União.

Reajuste para servidores

Durante a agenda em Propriá, Bolsonaro também voltou a comentar as promessas não cumpridas de conceder reajustes salariais a servidores, em especial os da categoria da segurança pública, que formam parte relevante do seu eleitorado (Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal).

"Lamentamos o poder aquisitivo dos servidores públicos, mas temos certeza que isso brevemente será recuperado. Em especial para a nossa PRF, que está nos acompanhando nesse momento."

O presidente havia expressado o interesse em favorecer os agentes da PF, da PRF e do Depen (Departamento Penitenciário Nacional) com uma recomposição mais ampla e tratamento diferenciado em relação a outras categorias.

No entanto, diante da pressão contra o governo e de promessas de paralisação, o Executivo recuou e hoje trabalha com a possibilidade de conceder um aumento linear de 5% para todos os servidores —ou seja, sem privilégios.

A sinalização feita por Bolsonaro aprofundou a briga com sindicatos e associações de classe da PF. Entidades que representam delegados, peritos, policiais e servidores da instituição divulgaram uma nota conjunta em 29 de abril. "Os policiais federais não receberão esse duro golpe calados", diz o texto.

No mesmo dia, Bolsonaro buscou se defender das críticas, pediu sugestões para resolver o problema e afirmou que "o reajuste de 5% desagrada a todo mundo". "Como vai se comportar a Polícia Federal? Vai dizer que é contra? Entrar em greve? Peço a todos que estão me ouvindo: se coloquem no meu lugar, apresentem alternativas."

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