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Por 'posição esquerdista', teólogo é afastado da Presbiteriana, diz jornal

Teólogo Flávio Pinheiro foi perseguido na IPB por ser "marxista" e "comunista" - Reprodução / Facebook (Igreja Presbiteriana do Brasil)
Teólogo Flávio Pinheiro foi perseguido na IPB por ser 'marxista' e 'comunista' Imagem: Reprodução / Facebook (Igreja Presbiteriana do Brasil)

Do UOL, em São Paulo

28/07/2022 15h38Atualizada em 28/07/2022 15h38

De modo a se arrepender de suas críticas ao presidente Jair Bolsonaro (PL), o teólogo Flávio Pinheiro foi afastado de seu cargo de liderança na IPB (Igreja Presbiteriana do Brasil) em fevereiro de 2021. De acordo com documentos da igreja obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo, a cúpula tem exercido "cerco contra fiéis de esquerda".

O autor da denúncia contra Pinheiro é Ageu Magalhães, líder influente na IPB e apoiador vocal de Bolsonaro desde as eleições de 2018. O primeiro aviso de Magalhães contra o teólogo 'esquerdista' foi em dezembro de 2019, por meio de um recado do reverendo, afirmando que as posições de Flávio contém "conteúdo marxista cultural".

"Ou você muda teu pensamento, abandonando as posições esquerdistas e todo o conteúdo marxista cultural que vem com elas, ou você deve, diante de Deus, renunciar ao Presbiterato. Esta relação está altamente incompatível", lê-se na mensagem.

Segundo o jornal, o presbítero frequentava a igreja em Cidade Dutra, zona sul da capital paulista, já faziam 19 anos. Atualmente, Pinheiro frequenta uma outra igreja também em São Paulo, na região do Butantã - mas sem nenhuma posição de liderança na estrutura.

Na decisão de seu afastamento, a minuta afirma que os pastores devem orientar os fiéis a se afastarem da "nefasta influência do pensamento de esquerda". O teólogo afirmou, ao Estadão, que esse acontecimento o deixou triste pois "a igreja não é para isso".

Pinheiro também foi demitido de seu emprego no Colégio Mackenzie após vitória de Bolsonaro em 2018. O teólogo acredita que as críticas que fez ao presidente motivaram o afastamento do colégio também.

"É uma inquisição porque perseguem alguém entendendo que essa pessoa é um perigo espiritual para a igreja e é também uma perseguição política porque entendem que uma certa visão política não é aceitável para aquele grupo", disse.

A decisão e os motivos

A decisão foi revertida pela última instância de julgamento da igreja por erros processuais.

De acordo com a reportagem, o teólogo foi taxado como comunista e marxista, afastado por defender que mulheres não devem ser consideradas inferiores aos homens, falar em direitos da comunidade LGBTQ+ e divulgar um evento do PSOL sobre o pensamento do educador Paulo Freire.

Documentos da igreja, acessados pelo Estadão, afirmam que os pastoriais devem apontar inconsistências em "declarados cristão de esquerda ou progressistas". Além disso, defendem que preguem contra ideais de esquerda em púlpitos e escolas dominicais, seminários e congressos.

O UOL entrou em contato com a Igreja Presbiteriana por email, mas não recebeu retorno até a publicação da reportagem. Em caso de manifestação, o texto será atualizado.

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