Conteúdo publicado há 1 mês

PF diz que youtuber português foi questionado por não ter visto de trabalho

Um youtuber português que disse ter vindo ao Brasil cobrir o ato a favor do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi detido hoje ao desembarcar no aeroporto de Guarulhos (SP). A Polícia Federal negou que ele tenha sido indevidamente impedido de entrar no país e ele foi liberado no fim da manhã.

O que aconteceu

Sérgio Tavares tem um canal no Youtube. Ele afirmou nas redes sociais que veio ao Brasil cobrir o ato convocado por Bolsonaro que ocorre hoje, na avenida Paulista, em São Paulo, e participar de uma audiência no Senado "para denunciar ao mundo a atrocidade da vacinação obrigatória de covid em bebês e crianças". A vacina contra a covid de crianças de seis meses a menores de 5 anos está no Calendário Nacional de Vacinação. Nas crianças, a recomendação do Ministério da Saúde é aplicar a primeira dose da vacina aos seis meses de idade, a segunda aos sete e a terceira aos nove meses.

PF diz que conduziu "procedimento padrão" para avaliar a situação dele. A corporação disse que verificou se Tavares estava no país a turismo ou a trabalho e por quanto tempo pretende permanecer no país, "seguindo o protocolo regular de admissão de estrangeiros".

Sem visto de trabalho. "Tal indivíduo teria publicado em suas redes sociais que viria ao país para fazer a cobertura fotográfica de um evento. Todavia, para isso, é necessário um visto de trabalho, o que ele não apresentou", disse a PF, em nota. Questionada pelo UOL, a corporação ainda não informou o que levou em consideração para liberar o português para entrar no país.

PF diz que youtuber também foi indagado sobre comentários sobre a democracia no Brasil. Segundo a PF, Tavares escreveu alegações falsas nas redes sociais, como a de que o país vive uma "ditadura do Judiciário, além de outras afirmações na mesma linha". Não há ditadura no Brasil desde o fim do regime militar, na década de 1980. "Vale ressaltar que as mesmas medidas são adotadas por padrão na grande maioria dos aeroportos internacionais", acrescentou a PF.

Por orientação de seu advogado, Tavares disse ter silenciado sobre as perguntas da PF sobre o assunto. Ele foi liberado por volta das 11h20 e teve seu passaporte devolvido, segundo sua defesa.

Youtuber entrevistou Bolsonaro

Tavares entrevistou Bolsonaro em uma live em seu canal no YouTube no início deste mês. Nela, o ex-presidente disse, sem provas, que o STF trabalhou com o TSE em "uma gestão para eleger Lula a qualquer preço". Nenhuma ocorrência nem tentativa de fraude às urnas eletrônicas nos dois turnos das eleições de 2022 foram encontradas.

Ex-presidente também insistiu na teoria conspiratória e não comprovada de que havia "infiltrados" no ato golpista de 8 de janeiro. Ele também voltou a espalhar desinformação sobre a pandemia de covid-19, reiterando posicionamentos anteriores em defesa do "tratamento precoce" e um ceticismo em relação às vacinas, cuja eficácia já foi comprovada por diversos estudos científicos para evitar casos graves e mortes em decorrência da doença.

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Dallagnol critica detenção

Nas redes sociais, o jurista e político Deltan Dallagnol, que atuou como procurador da República e foi coordenador da força tarefa da Operação Lava Jato, criticou a ação da PF.

É inacreditável o que aconteceu hoje com o jornalista português Sérgio Tavares: ele não cometeu nenhum crime, mas era monitorado pela PF e foi detido ao chegar ao Brasil e questionado por conta de suas opiniões em redes sociais. Por princípio, jornalistas de todos os veículos deveriam ser os primeiros a protestar contra isso, mesmo que discordem de Tavares em tudo, mas só no Brasil encontramos a figura do 'jornalista que apoia censura'. Até onde vai a tirania judicial do Brasil? Deltan Dallagnol

Discurso em ato pró-Bolsonaro

Após ser liberado, o youtuber português compareceu à manifestação a favor do ex-presidente. E discursou.

Eu vou garantir que a Europa e o mundo vão saber a verdade sobre o Brasil. O mundo vai saber que vocês precisam de liberdade, que vocês não podem ter censura. Não podem obrigar bebês a serem vacinados. Eu prometo essa mensagem vai correr a Europa e o mundo todo. Liberdade! Sergio Tavares

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*Com Estadão Conteúdo

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