Conteúdo publicado há 1 mês

Após críticas de Lira, Lula diz que Padilha ocupará cargo por 'muito tempo'

O presidente Lula (PT) afirmou nesta sexta-feira (12) que não há ninguém mais bem preparado para lidar com adversidade dentro do Congresso Nacional do que Alexandre Padilha, ministro das Relações Institucionais. O elogio vem após críticas feitas por Arthur Lira (PP) ao titular da pasta.

O que aconteceu

O presidente destacou que o ministro Padilha ficará no cargo "por muito tempo". "Mas só de teimosia, o Padilha vai ficar por muito tempo nesse ministério. Não tem ninguém melhor preparado para lidar com adversidade dentro do Congresso Nacional", disse Lula na noite desta sexta-feira (12). A declaração foi feita durante a inauguração de sede da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), em São Paulo.

Sem citar Lira, Lula afirmou o ministro das Relações Institucionais está na "fase da cobrança". Ele ressaltou que Padilha ocupa um cargo que parece ser o melhor do mundo nos primeiros seis meses. "Depois, começa a ser um cargo muito difícil. (...) Chega um momento que começa a cobrar, o Padilha está na fase da cobrança", disse.

Lula comparou o ministério ocupado por Padilha a um casamento. "É como um casamento, nos primeiros seis meses de casamento é tudo maravilhoso. (...) Então, o que acontece é que chega um momento que começa a cobrar".

O presidente também elogiou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. "O Haddad tem muita paciência. Nunca conheci um ministro da Fazenda com tanta disposição para conversar com Senado e com a Câmara", disse.

O petista ainda relembrou a disputa eleitoral com o PSDB. "Que saudade que eu tenho de quando a disputa ficava entre PT e PSDB. Como a gente era civilizado. Como era democrático esse país", destacou.

Acho que o Brasil está precisando de um pouco de calma. Aliás, o mundo está precisando de um pouco de calma. Há muito nervosismo na faixa de Gaza, nas eleições americanas, no Equador, na Argentina. Mas não existe nada melhor do que a democracia.
Lula

'Desafeto pessoal e incompetente'

Lira subiu o tom nas críticas a ministro do governo Lula. Ele fez o comentário após ser questionado se o Congresso teria sofrido uma derrota política e se a votação no plenário que manteve a prisão de Chiquinho Brasão (sem partido-RJ) expôs uma fraqueza do presidente da Câmara.

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Governo "plantou mentiras". Lira ainda chamou de "lamentável que integrantes do governo interessados na instabilidade da relação harmônica entre os Poderes fiquem plantando essas mentiras". "E depois, quando o Parlamento reage, acham ruim".

Essa notícia hoje, que você está tentando verbalizar, porque os grandes jornais fizeram, foi vazada do governo e basicamente do ministro Padilha, que é um desafeto pessoal, além de incompetente. Não existe partidarização, eu deixei bem claro que ontem a votação é de cunho individual
Arthur Lira (PP-AL), durante visita a evento da frente agropecuária em Londrina

O PP de Lira se dividiu na votação. O PL foi contra o parecer do relator. Mas Brazão teve a prisão mantida pela maioria dos deputados. Veja como votou cada deputado.

Padilha também deu indireta no X em resposta. O ministro publicou vídeo do presidente Lula elogiando seu trabalho. Na publicação, ele escreveu que é uma "honra" para toda a equipe do ministério ouvir o enaltecimento público do chefe do Executivo.

Nesta sexta-feira (12), o PT disse que Lira 'ofende a harmonia entre os Poderes' ao criticar Padilha.

O partido afirmou que o Brasil "precisa de relações republicanas saudáveis". "Ao atacar o ministro Alexandre Padilha, o deputado Arthur Lira compromete a liturgia do cargo de presidente da Câmara Federal", diz nota do diretório nacional da legenda.

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PT saiu em defesa de Padilha com elogios à "competência e capacidade" dele. "É inegável a competência e a capacidade do ministro Alexandre Padilha, tanto no atual governo quanto nas inúmeras oportunidades em que serviu aos interesses do povo brasileiro", afirma o comunicado.

Padilha disse não ter 'rancor' de Lira

Em evento no Rio, o ministro disse que não vai "descer a esse nível". "Quero repetir aqui. Eu tenho uma mãe alagoana arretada que diz: 'se um não quer, dois não brigam'", afirmou.

Vou seguir em frente e sem qualquer tipo de rancor. Quero repetir aqui essa produção da periferia da minha cidade de São Paulo, [do] Emicida. 'Mano, rancor é igual tumor, envenena a raiz. Quando a plateia só deseja ser feliz'. O Brasil só deseja ser feliz.
Alexandre Padilha, ministro das Relações Institucionais

Pela manhã, Lula foi a Campo Grande (MS)

Presidente elogiou os irmãos Batista, da JBS, e ganhou elogios do governador Eduardo Riedel (PSDB), apoiador de Jair Bolsonaro (PL). As declarações foram dadas durante evento em planta da empresa em Campo Grande (MS). Em 2017, a JBS foi investigada por corrupção pela operação Lava Jato.

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Ele [Lula] nos chamou e falou: 'Cada governador do país pode escolher o que é prioritário para o seu estado, que nós vamos ajudar a construir. Saímos de uma eleição polarizada, precisamos virar essa página do Brasil e olhar para a frente'. Nós apresentamos sete projetos, ele acatou os sete, e só no ano passado veio mais de R$ 1 bilhão para o nosso estado para ajudar na infraestrutura.
Eduardo Riedel, governador do MS pelo PSDB

Riedel ressaltou a capacidade de Lula de governar com as diferenças e afirmou que o petista não colocou divergências políticas acima dos interesses do estado. "O presidente sempre foi um homem que respeita as diferenças, que em momento algum colocou oposição política acima da relação federativa da União com o Mato Grosso do Sul, e aqui no nosso estado não haverá nunca qualquer tipo de discussão que ponha a democracia em segundo plano".

Lula tem tentado se reaproximar do agronegócio desde que voltou ao governo. O setor foi um dos que mais cresceram e com quem tinha das melhores relações durante o primeiro mandato. Rachados após o crescimento do bolsonarismo, ele tenta retomar esse prestígio.

No ano passado, lançou o maior Plano Safra da história, com liberação de até R$ 430 bilhões para 2023/2024. Ele também tem alçado o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, principal responsável por esta ponte, a um dos queridinhos do governo.

Fora Brasília, esta é a primeira visita oficial de Lula ao Centro-Oeste neste mandato. Ele não visitou a região durante a campanha —de novo, excluindo a capital federal—, nem fez eventos em nenhum dos três estados no ano passado.

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