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Lira desconversa sobre CPIs e diz a Bial que errou em críticas a Padilha

Colaboração para o UOL, em São Paulo

24/04/2024 01h03Atualizada em 24/04/2024 11h02

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), disse no programa "Conversa com Bial", da TV Globo, que errou ao chamar o ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, de "desafeto pessoal" e "incompetente".

O que ele disse

Ele comentou as críticas a Padilha e alertou para a articulação do governo no Legislativo. Segundo sua assessoria de imprensa, não houve recuo, mas que ele errou ao personalizar as críticas.

Tenho erros e acertos. Não tenho problema de reconhecer o erro quando o faço. Vinha apontando, reservadamente ao governo e eles sabem disso, que há alguns meses que não funciona a articulação do governo. Se você prestar atenção, há um esforço da presidência da Casa e do governo na Câmara de convergir matérias para que elas cheguem muito maduras no plenário.
Arthur Lira, presidente da Câmara

Lira considera que o atual governo é o que tem tido "melhores condições de governar o país" e desconversou sobre a instalação de CPIs. "Nesses dias, está sendo dito que Arthur está com muita virulência, vai instalar CPIs, vai fazer pauta-bomba. [...] Não há nenhum governo desde que cheguei na Câmara que tenha tido melhores condições de governar o país do que o presidente Lula teve dado por nós."

Temos o regramento. Vou reunir os líderes, com calma, para a gente discutir se vale a pena em ano de eleição, se vai funcionar na Câmara, se não é só exposição, qual tema é mais sensível, qual é mais necessário e qual é mais importante para que a gente veja se instale ou não. Saiu que vão ser instaladas cinco CPIs, porque são só cinco que funcionam por vez.
Lira, ao comentar sobre CPIs

O presidente da Casa afirma que o "2023 espetacular" do governo aconteceu por conta do Congresso. "O presidente Lula teve um ano de 2023 espetacular por tudo o que o Congresso fez, especialmente a Câmara dos Deputados."

Críticas a Padilha

Lira subiu o tom nas críticas a ministro do governo Lula há algumas semanas. Ele fez o comentário após ser questionado se o Congresso teria sofrido uma derrota política e se a votação no plenário que manteve a prisão de Chiquinho Brasão (sem partido-RJ) expôs uma fraqueza do presidente da Câmara.

Governo "plantou mentiras", diz presidente da Câmara. Lira ainda chamou de "lamentável que integrantes do governo interessados na instabilidade da relação harmônica entre os Poderes fiquem plantando essas mentiras". "E depois, quando o Parlamento reage, acham ruim", acrescentou.

Essa notícia hoje, que você está tentando verbalizar, porque os grandes jornais fizeram, foi vazada do governo e basicamente do ministro Padilha, que é um desafeto pessoal, além de incompetente. Não existe partidarização, eu deixei bem claro que ontem a votação é de cunho individual.
Arthur Lira (PP-AL), durante visita a evento da frente agropecuária em Londrina

Padilha também deu indireta no X em resposta. O ministro publicou vídeo do presidente Lula elogiando seu trabalho. Na publicação, ele escreveu que é uma "honra" para toda a equipe do ministério ouvir o enaltecimento público do chefe do Executivo.

Padilha disse não ter 'rancor' de Lira

Em evento, o ministro disse que não vai "descer a esse nível". "Quero repetir aqui. Eu tenho uma mãe alagoana arretada que diz: 'Se um não quer, dois não brigam'", afirmou.

Vou seguir em frente e sem qualquer tipo de rancor. Quero repetir aqui essa produção da periferia da minha cidade de São Paulo, [do] Emicida. 'Mano, rancor é igual tumor, envenena a raiz. Quando a plateia só deseja ser feliz'. O Brasil só deseja ser feliz.
Alexandre Padilha, ministro das Relações Institucionais

CPIs

Lira havia comunicado na semana passada a decisão de abrir até cinco CPIs das oito que aguardam instalação.

Ainda não há definição sobre a ordem em que as CPIs serão instaladas. O funcionamento das comissões, que tem poder de investigação próprio de autoridades judiciais, mudam a rotina da Casa e, portanto, podem dificultar a pauta de projetos, além de abrirem um ambiente para denúncias, o que tem mais peso em ano eleitoral.

Confira a seguir as possíveis comissões:

  • CPI para investigar STF e TSE
  • CPI para apurar atuação de concessionárias de energia elétrica
  • CPI sobre exploração sexual infantil
  • CPI para investigar atuação de facções criminosas
  • CPI para apurar energia comprada da Venezuela

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