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STF suspende votações de Zambelli e pichadora antes de julgar Bolsonaro

Do UOL, em São Paulo

24/03/2025 11h30Atualizada em 24/03/2025 13h50

Um dia antes do início do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de aliados, no STF, por tentativa de golpe de Estado, os ministros Nunes Marques e Luiz Fux suspenderam os casos da deputada Carla Zambelli (PL-SP) e da cabeleireira Débora Santos, que pichou a estátua da Justiça com batom durante atos no 8 de janeiro.

O que aconteceu

Com minutos de diferença, o ministro Nunes Marques suspendeu a votação no caso de Zambelli, e Fux, no de Débora. Os processos contra as duas bolsonaristas são analisados no plenário virtual da Corte e da Primeira Turma do STF, respectivamente.

Os julgamentos devem ser retomados em, no máximo, 90 dias. Ambos os ministros pediram vista, ou seja, mais tempo para analisar os casos.

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Débora Santos pichou a estátua na praça dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2025 -  Gabriela Biló - 8.jan.23/Folhapress
Débora Santos pichou a estátua na praça dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2025 Imagem: Gabriela Biló - 8.jan.23/Folhapress

Um voto a favor da condenação de Débora definiria o resultado. Na última sexta (21), os ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino votaram para condenar a cabeleireira a 14 anos de prisão por abolição violenta do Estado democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, deterioração de patrimônio tombado e associação criminosa armada. Foi ela quem pichou com batom os dizeres "Perdeu, mané" durante a baderna na Praça dos Três Poderes. Como a turma é composta por cinco ministros, bastaria mais um para haver maioria pela condenação.

No caso de Zambelli, o placar está 5 a 0 para condenar a deputada a 5 anos e 3 meses de prisão por perseguição armada. Mesmo após o pedido de vista de Nunes Marques, o ministro Cristiano Zanin votou pela condenação, se juntando aos votos de Gilmar Mendes, Cármen Lúcia, Alexandre de Moraes e Flávio Dino. Em 2022, às vésperas do segundo turno da eleição, ela perseguiu o jornalista Luan Araújo com uma arma empunhada por cerca de cem metros em ruas na região central de São Paulo.

Na véspera da eleição de 2022, Zambelli perseguiu, com uma arma em punho, um homem em SP Imagem: Reprodução/Redes Sociais

O movimento de Nunes Marques e Fux acontece um dia antes do início do julgamento de Jair Bolsonaro. Amanhã, a Primeira Turma começa a julgar a denúncia contra o ex-presidente e sete aliados: os ex-ministros Augusto Heleno (GSI), Braga Netto (Casa Civil), Paulo Sérgio Nogueira (Defesa) e Anderson Torres (Justiça), o ex-comandante da Marinha Almir Garnier e o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), que à época era diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), e o ex-ajudante de ordens da Presidência Mauro Cid.

O julgamento vai decidir se ex-presidente e aliados viram réus. Nesta fase do processo, a Primeira Turma, composta por Cristiano Zanin, Moraes, Cármen Lúcia, Dino e Fux, vai analisar se aceita a denúncia apresentada pela PGR (Procuradoria-Geral da República). Se isso ocorrer, é aberta uma ação penal, e Bolsonaro e os demais denunciados se tornam réus. Somente ao final dessa ação penal, depois de serem ouvidas todas as testemunhas e todos os réus, é que o ex-presidente pode eventualmente ser condenado e preso.

Tensão é alta nos arredores da sede do STF. A Corte reforçou a segurança para os próximos dias, com seguranças armados com rifles, maior controle do acesso ao edifício e redução no espaço de circulação de jornalistas.

Como será o julgamento de Bolsonaro?

Primeira Turma do STF, composta por cinco ministros, marcou três sessões extraordinárias para analisar a denúncia:

  • 25/3, às 9h30;
  • 25/3, às 14h30;
  • 26/3, às 9h30.

Nessas sessões, será julgada apenas a denúncia contra o chamado núcleo 1 da tentativa de golpe. Integram esse grupo:

  1. Jair Bolsonaro, ex-presidente;
  2. Alexandre Ramagem, deputado federal pelo Rio de Janeiro e ex-presidente da Abin (Agência Brasileira de Inteligência);
  3. Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;
  4. Anderson Torres, ex-ministro da Justiça;
  5. Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional;
  6. Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa e general da reserva do Exército;
  7. Mauro Cid; ex-ajudante de ordens de Bolsonaro;
  8. Paulo Sérgio Nogueira, ex-comandante do Exército.

Os oito são acusados de cinco crimes: organização criminosa armada, abolição violenta do Estado democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. A pena máxima para todos os crimes soma 46 anos de prisão.

Eventuais prisões só acontecem após processos transitarem em julgado, ou seja, quando não houver mais possibilidade de recurso. Caso a denúncia seja aceita agora, uma ação penal será aberta, processo em que testemunhas e as defesas serão ouvidas novamente. Ao fim desse processo, o STF vai absolver ou condenar os envolvidos. Uma exceção seria uma prisão preventiva: caso haja tentativa de fuga ou de atrapalhar o processo.


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