Zambelli rebate Bolsonaro e diz que ex-presidente perdeu 'por outro motivo'
Após Jair Bolsonaro culpá-la publicamente pela derrota dele nas eleições, a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) disse hoje que o ex-presidente "perdeu por outro motivo".
O que aconteceu
Sem detalhar sua declaração, Zambelli afirmou que um dia Bolsonaro vai "perceber" o que aconteceu. Na última segunda, o ex-presidente disse que a parlamentar "tirou" o mandato dele, ao comentar o episódio no qual a deputada sacou uma arma e perseguiu um apoiador do presidente Lula na véspera do segundo turno de 2022.
"Ele tem o meu telefone, se ele achar que deve me ligar, ele me liga", disse Zambelli. A deputada afirmou que, apesar de a relação entre os dois ter ficado abalada, ela ainda tem o apoio do ex-presidente e da bancada do PL, mas que não vai tomar a iniciativa de "retomar o diálogo".
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Anteontem, o STF formou maioria para condenar Zambelli por porte ilegal de arma, e Bolsonaro falou em "injustiça" contra ela. O julgamento foi interrompido por pedido de vista de Nunes Marques, a quem deputada agradeceu. No final de janeiro, o TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral) cassou o mandato da deputada por divulgar vídeos questionando o resultado das eleições de 2022, mas o caso ainda será julgado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
O que Carla Zambelli disse
Para mim o Bolsonaro perdeu por outro motivo e não pela situação da arma. Essa declaração do Bolsonaro me deixou bastante entristecida, é um peso muito grande para uma pessoa carregar. Ainda mais para uma pessoa como eu que sou patriota.
Um dia Bolsonaro vai perceber que o que aconteceu comigo não foi o que tomou a eleição dele. Ele está num momento difícil, e em momentos difíceis, é normal que a pessoa tenha falas mais extremadas.
O policial deu voz de prisão para o [jornalista] Luan [Araújo] e ele fugiu. Quando foge e começa a correr, ele me chama de prostituta. Eu não estava com arma sacada naquele momento, só saquei após ouvir um estampido de tiro. Eu jamais sacaria arma para qualquer pessoa na rua.
Carla Zambelli (PL-SP), em entrevista à CNN
Relembre o caso
Perseguição armada aconteceu às vésperas do segundo turno das eleições de 2022. Em 29 de outubro, um dia antes da votação, o jornalista Luan Araújo abordou Zambelli no bairro dos Jardins, na capital paulista, gritou palavras de apoio a Lula e provocou a deputada, que se desequilibrou e caiu. Em seguida, ela e um segurança seguiram o jornalista pelas ruas, com armas em punho.
O episódio teve repercussão negativa para Bolsonaro às vésperas da eleição. O ex-presidente perdeu para Lula por uma diferença de pouco mais de 2 milhões de votos e, na avaliação de aliados à época, o caso custou apoios que poderiam ter mudado o resultado das urnas.
Para a PGR (Procuradoria-Geral da República), Zambelli abusou do direito de uso de arma. Embora a deputada tivesse porte regularizado, a denúncia diz que ela sacou a pistola "fora dos limites da autorização de defesa pessoal".
A deputada se tornou ré no STF em agosto de 2023, por 9 votos a 2. Os únicos que votaram contra a abertura do processo, à época, foram Nunes Marques e André Mendonça, indicados ao tribunal pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Nunes Marques considerou que ela foi ofendida pelo jornalista e agiu na intenção legítima de prendê-lo, e Mendonça avaliou que o caso é de competência da Justiça de São Paulo, por não ter relação com o mandato de deputada.