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Nova York registra seu primeiro caso de ebola

Em Nova York

24/10/2014 08h04

O médico Craig Spencer, 32, foi hospitalizado nesta quinta-feira (23) em Nova York com o vírus ebola, confirmou o prefeito da cidade, Bill de Blasio, em entrevista à imprensa.

"Os exames realizados hoje [quinta-feira] confirmaram que um paciente aqui na cidade de Nova York teve um resultado positivo para ebola", disse De Blasio.

"Queremos deixar claro, desde o início, que não há razão para que os nova-iorquinos fiquem alarmados", destacou De Blasio, insistindo que a cidade de 8,4 milhões de habitantes está preparada para enfrentar o problema.

"O ebola é muito difícil de se contrair. Se transmite apenas pelo contato com o sangue e outros fluidos corporais" da pessoa infectada, recordou o prefeito.

Craig Spencer, recém chegado da África, foi internado de urgência com febre alta e dores abdominais, e os exames revelaram a presença do ebola.

O médico esteve na Guiné, um dos três países afetados pela epidemia de ebola, junto à Serra Leoa e Libéria.

Spencer trabalhou para a Médicos sem Fronteiras na Guiné e tratou de pacientes com o vírus até 12 de outubro, antes de viajar para a Europa, dois dias depois.

O médico está internado no hospital Bellevue de Manhattan, preparado especialmente para tratar casos de ebola em Nova York, a cidade mais povoada dos Estados Unidos.

As autoridades de Nova York iniciaram uma investigação sobre as pessoas que mantiveram contato com Spencer desde seu regresso a Nova York, há dez dias, e que podem estar com a doença.

A namorada e dois amigos de Spencer - que não apresentam sintomas - foram colocados em quarentena. O apartamento do médico no Harlem está lacrado.

A Médico Sem Fronteiras (MSF) relatou que Spencer, que trabalhou para a organização "em um dos países da África afetados pelo ebola, informou à organização que apresentava febre, cumprindo com as estritas determinações observadas pelo pessoal que retorna de uma missão...".

Imediatamente após o comunicado de Spencer, a MSF informou a situação aos serviços de saúde de Nova York, com base nos protocolos adotados.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, o ebola já matou 4.877 pessoas (das 9.936 contaminadas), principalmente na Libéria, Serra Leoa e Guiné, foco da atual epidemia, iniciada em dezembro de 2013.

Entenda o ebola

  • O que é o ebola?

    É uma doença causada por vírus, que pode ser fatal em até 90% dos casos. A morte geralmente ocorre por falhas renais e problemas de coagulação, em até duas semanas após a aparição dos primeiros sintomas.

  • Como se contrai o vírus?

    Ele é transmitido pelo contato direto e intenso com sangue e fluidos corporais (como suor, urina, fezes e sêmen, por exemplo) de pessoas contaminadas e de tecidos de animais infectados. Até o momento, não há notícias de pessoas que transmitiram o vírus antes de apresentarem os sintomas.

  • Quais os sintomas mais comuns?

    Febre repentina, fraqueza, dor muscular, dor de cabeça e inflamação na garganta. Depois, vômito, diarreia, coceira, deficiência hepática e renal e, em alguns casos, hemorragias internas e externas. O período de incubação costuma ser de dois a 21 dias, ou seja, esse é o tempo que pode levar para a pessoa infectada começar a apresentar os sintomas.

  • O que é um caso confirmado?

    Um caso suspeito com resultado laboratorial positivo para o vírus ebola realizado em laboratório de referência.

  • O 1º exame negativo descartada a doença?

    Não. O descarte só é feito após dois exames laboratoriais negativos com intervalos de 48h entre eles.

  • Qualquer unidade de saúde pode colher sangue para teste?

    Não. Esta doença é de notificação compulsória imediata. O Ministério da Saúde recomenda que, em caso de suspeita, a pessoa seja isolada e o ministério, acionado imediatamente para que o paciente seja levado a uma unidade de referência. Somente neste local pode ser feita a coleta de sangue.

  • Qualquer laboratório pode manipular o sangue de um caso suspeito?

    Não. Apenas um laboratório no Pará tem nível internacional de segurança 3 e, por isso, é o único credenciado pelo Ministério da Saúde para manipular e diagnosticar vírus ebola.

  • Como transportar pacientes suspeitos e/ou confirmados com ebola?

    Uma ambulância é previamente envelopada (seu interior é coberto por plástico para que não haja contato dos instrumentos com o paciente). Durante o transporte, tanto o paciente quanto a equipe médica e o motorista utilizam Equipamentos de Proteção Individual (EPI): macacão de tyvek, protetor facial, bota, luvas, entre outros.

  • O paciente deve ser colocado na ambulância em maca-bolha?

    Não há essa indicação técnica, já que a doença não é transmitida pelo ar e os profissionais de saúde estão usando todos os EPIs indicados no protocolo.

  • O que é feito quando há confirmação de caso de ebola?

    Os pacientes devem ser mantidos isolados, em suporte intensivo, em hospitais de referência para tratamento de doenças infecciosas graves. Todo e qualquer profissional de saúde que tiver contato com o paciente deve estar usando EPI.

  • O ebola tem tratamento específico?

    Não. Em geral os médicos recorrem a medicamentos para aliviar os sintomas, mas a cura depende do organismo do paciente. Existem apenas remédios e vacinas experimentais sendo testados no Canadá e nos EUA. O Zmapp, publicado no meio científico desde 2012, foi usado em humanos pela 1ª vez no surto atual, já que a OMS só libera o uso de medicamentos de alto risco em situações extremas.

  • Existe risco de epidemia de ebola no Brasil?

    O risco é extremamente baixo. Mesmo que haja casos confirmados isolados, a adoção de protocolos de isolamento, monitoramento e bloqueio evita a ocorrência de surto.

  • Quais países têm mais casos de ebola?

    Guiné, Libéria e Serra Leoa vivem surtos de ebola, e há casos na Nigéria e no Congo. EUA, Espanha e Reino Unido levaram compatriotas infectados para tratamento em seus países.

  • Como pode ser feita a notificação de um caso suspeito?

    O Ministério da Saúde disponibilizou alguns canais para profissionais de saúde: o telefone 0800 644 6645 e o e-mail notifica@saude.gov.br. A população pode usar o número 136.

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