Gravidez não é perigosa para mulheres que já tiveram câncer de mama, diz estudo

Em Chicago

  • Getty Images

Ficar grávida depois de um diagnóstico de câncer de mama não aumenta o risco de que o câncer retorne, segundo o maior estudo sobre este tema já realizado, divulgado neste sábado (3) em uma importante conferência sobre oncologia.

O estudo incluiu 1.207 mulheres menores de 50 anos que tiveram câncer de mama que não havia se espalhado para outras partes do corpo.

A maioria das mulheres no estudo (57%) tinha câncer de mama com receptores de estrogênio (um tipo de câncer conhecido como RE-positivo), no qual os tumores são alimentados por este hormônio.

Alguns médicos acreditavam que essas mulheres podiam enfrentar um maior risco de recidiva do câncer se ficassem grávidas, devido a alterações hormonais durante a gestação.

Um total de 333 mulheres engravidaram durante o estudo, em média 2,4 anos após o diagnóstico e o tratamento do câncer.

Após um acompanhamento de 10 anos, os pesquisadores não encontraram "nenhuma diferença na sobrevivência livre de doença entre as mulheres que ficaram grávidas e as que não ficaram", segundo o artigo divulgado na reunião da Sociedade Americana de Oncologia Clínica.

A gravidez também mostrou benefícios surpreendentes para as mulheres que tinham sobrevivido a um câncer de mama sem receptores hormonais.

Essas mulheres tinham uma chance 42% menor de morrer do que aquelas que não tinham engravidado.

"Nossas descobertas confirmam que a gravidez depois de um câncer de mama não deveria ser desencorajada, nem mesmo para mulheres com câncer RE-positivo", disse Matteo Lambertini, médico que dirigiu este estudo no Instituto Jules Bordet, em Bruxelas.

"É possível que a gravidez possa ser um fator de proteção para pacientes com câncer de mama do tipo RE-negativo, através de mecanismos do sistema imunológico ou hormonais, mas é necessário mais pesquisas sobre isso", acrescentou.

Cerca de metade das mulheres jovens recém-diagnosticadas com câncer de mama tem interesse em ter filhos, mas as pesquisas mostram que menos de 10% delas ficam grávidas depois de receber tratamento para combater a doença.

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