PUBLICIDADE
Topo

Espanha defende repatriação dos dois missionários com ebola

Em Madri

08/10/2014 14h49

O ministro de Relações Exteriores espanhol, José Manuel García-Margallo, afirmou nesta quarta-feira (8) que o governo "fez o que tinha que fazer" ao trazer para a Espanha os dois missionários infectados pelo ebola, e acrescentou que "todos os países sérios que se encontraram com este problema atuaram da mesma maneira".

García-Margallo fez estas declarações em entrevista coletiva junto a ministra colombiana da mesma pasta, María Ángela Holguín, ao ser perguntado sobre se acredita que foi correta a decisão de trazer da África os padres Miguel Pajares e Manuel García Viejo, que morreram em consequência do ebola.

Após lembrar que Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha e Noruega atuaram da mesma forma que a Espanha, ele afirmou que a repatriação - da qual seu departamento participou do ponto de vista logístico - foi "impecável" e que os profissionais do Ministério "colaboraram com todos seus esforços em uma operação que não era fácil".

"Não tenho a menor dúvida que na repatriação, o governo fez o que tinha que fazer. Se isso tivesse acontecido com algum parente de qualquer um de nós entenderíamos a carga emocional", destacou o ministro.

Teresa Romeo Ramos, uma auxiliar de enfermagem que trabalhou como voluntária no cuidado destes religiosos foi contagiada pelo vírus do ebola. Ela está internada e isolada desde a última segunda-feira no hospital Carlos III de Madri, o mesmo em que ficaram os padres.

Ela representa o primeiro caso de infecção de ebola fora da África. Seu marido também está internado no mesmo hospital para que sua evolução seja estudada, embora não apresente sintomas da doença.

Mais sobre o ebola

García-Margallo, que disse que não entraria em questões técnicas relativas a este assunto por não ser competência do seu Ministério, lembrou que nas decisões das instituições da União Europeia e da Organização das Nações Unidas a repatriação de nacionais figura entre as primeiras medidas a adotar.

Ele explicou que a Espanha forneceu para combater esta epidemia de ebola 3,3 milhões de euros - divididos em ajudas a ONGs e aos três países mais afetados: Guiné, Serra Leoa e Libéria - e que a esse número se une os custos da repatriação dos missionários.

Saiba mais sobre ebola

  • O que é o ebola?

    A doença é causada pelo vírus ebola e, no surto atual, já matou quase a metade dos pacientes diagnosticados com a doença. Tem sintomas como febre, vômito, diarreia e hemorragia.

  • Como se contrai o vírus?

    O ebola é transmitido pelo contato direto com sangue e fluídos corporais (suor, urina, fezes e sêmen) de pessoas contaminadas e de tecidos de animais infectados.

  • Quais países têm mais casos de ebola?

    Guiné, Libéria e Serra Leoa vivem surtos de ebola. Na Nigéria houve casos da doença, mas o vírus deixou de ser ameaça no país. EUA e alguns países europeus resgataram compatriotas infectados para tratamento.

  • Quem tem mais risco de contrair a doença?

    Parentes dos pacientes e os profissionais de saúde que tratam os pacientes com ebola são os indivíduos em maior situação de risco. Mas, qualquer pessoa que se aproxime de infectados ou de seus corpos sem vida se coloca em risco.

  • O ebola tem cura?

    Não há remédio que cure o ebola propriamente. Existem apenas medicamentos e vacinas experimentais sendo testadas no Canadá, nos Estados Unidos e na África, que surtiram o efeito desejado, isto é, zeraram a carga viral dos infectados. Quem sobreviveu ao tratamento continuará sendo monitorado por um tempo.