OMS declara fim de emergência global por zika; Brasil mantém alerta

zika; microcefalia; emergência sanitária; OMS - A Organização Mundial da Saúde (OMS) decidiu retirar o vírus da zika da condição de uma emergência internacional, mas alerta que governos terão de ampliar os testes e não apenas mais verificar o tamanho da circunferência das cabeças de crianças. Para a OMS, o vírus agora exige uma atenção de longo prazo. Outra medida solicitada pela OMS é de que governos ajustem seus sistemas de saúde para lidar com o impacto do zika por um longo prazo.

A decisão foi tomada depois de uma reunião realizada nesta sexta-feira, 18, em Genebra entre os principais especialistas sobre o assunto, além dos governos de Brasil, Estados Unidos, Tailândia e de regiões africanas, europeias e asiáticas.

Segundo David Heymann, presidente do Comitê de Emergência, agora o vírus da zika é um problema "de longo prazo". "O vírus continua a se espalhar geograficamente. Todos os países com mosquito vetor da doença estão a risco. Nossa avaliação, portanto, isso não mudou", disse Peter Salama, diretor-executivo dos programas de emergência da OMS.

A emergência internacional foi primeiro anunciada em fevereiro de 2016, quatro meses depois de o governo brasileiro notificar a OMS sobre a crise. Até agora, porém, muitas das questões relacionadas ao novo vírus não foram respondidas. Os cientistas, por exemplo, continuam sem uma explicação sobre o motivo pelo qual o Brasil registrou um salto no número de microcefalia, enquanto outros locais essa tendência não foi registrada.

A OMS, porém, quer que governos abandonem apenas os testes de microcefalia como evidência de um impacto do vírus da zika. A entidade sugere que se leve em conta critérios como perda de visão, audição, comprometimento e deficiência de membros para avaliar se um recém-nascido foi afetado.

Há poucos meses, a OMS passou a adotar uma nova definição e considerando a nova doença como Síndrome Congênita do Zika. Isso porque evidências científicas apontaram que mesmo crianças com um tamanho de crânio dentro dos parâmetros "normais" podem ser afetados pelo vírus.

País. O Brasil vai manter a situação de emergência sanitária de importância nacional independentemente da decisão da Organização Mundial da Saúde. "As consequências da microcefalia são muito graves, o Brasil está acumulando conhecimento sobre o assunto, precisamos manter a vigilância", afirmou o ministro da Saúde, Ricardo Barros.

O Brasil informou ao Comitê de Emergência da OMS que manterá a emergência nacional. O Estado apurou que a decisão do governo é manter essa condição, pelo menos até o fim deste verão, quando se encerra o ciclo de maior risco de transmissão de doenças transmitidas pelo Aedes aegypti - zika, chikungunya e dengue. A estratégia de autoridades sanitárias brasileiras é aguardar o comportamento da zika em 2017, verificar a extensão de um eventual segundo ciclo e nascimentos de bebês com microcefalia.

Jamil Chade, correpondente, e Lígia Formenti

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