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Mortalidade na infância caiu 77% no Brasil em duas décadas, diz Unicef

O Brasil é o sétimo país do mundo que mais teve declínio no índice de mortalidade infantil - Caio Guatelli/Folha Imagem
O Brasil é o sétimo país do mundo que mais teve declínio no índice de mortalidade infantil Imagem: Caio Guatelli/Folha Imagem

Edgard Matsuki

Do UOL, em Brasília

13/09/2013 11h13Atualizada em 13/09/2013 18h47

Relatório divulgado pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) nesta sexta-feira (13) aponta que o índice de mortalidade na infância caiu cerca de 77% nos últimos 22 anos no Brasil. De acordo com o Relatório de Progresso 2013 sobre o Compromisso com a Sobrevivência Infantil: Uma Promessa Renovada, a taxa de mortes de crianças com menos de cinco anos era de 62 por mil nascidos vivos em 1990 e em 2012 estava 14 por mil nascidos vivos.

A morte de crianças com menos de cinco anos de idade é considerada mortalidade infantil. Os dados são de um estudo realizado com a colaboração do Unicef, da OMS (Organização Mundial da Saúde) e do Banco Mundial.
 

Expectativa de vida avança, apesar de desigualdade entre regiões

  • Arte UOL

Maior declínio

O Brasil é o sétimo país do mundo com maior declínio no índice de mortalidade na infância no período. No ranking mundial, o Brasil apresenta a posição 120º com maior índice de mortalidade na infância.

Os países classificados com os maiores índices de erradicação da mortalidade de crianças menores de cinco anos no período foram Maldivas (89%), Estônia (82%), Arábia Saudita (82%), Turquia (81%) e Macedônia (80%).

Na América Latina e Caribe, o Brasil sofreu, junto com o Peru, a maior queda no índice entre 1990 e 2012. A queda da mortalidade infantil fez com que o Brasil atingisse o Objetivo do Desenvolvimento do Milênio 4 (ODM 4), que visava a queda da mortalidade infantil em 66% entre os anos de 1990 e 2015.

De acordo com o Unicef, a queda foi possível graças a uma série de medidas como a criação do SUS (Sistema Único de Saúde), com foco na atenção primária em saúde, avanços no atendimento materno e de recém-nascidos, melhoria nas condições sanitárias, promoção do aleitamento materno e criação de iniciativas de proteção social como o Bolsa-Família.

Na taxa de mortalidade neo-natal (nos primeiros 28 dias de vida), o Brasil apresentou queda de 68%. O índice era de 28 por mil nascimentos e passou para 9 por mil nascimentos.

Helvécio Magalhães, secretário de atenção à saúde do Ministério da Saúde, diz que a diminuição ainda é um desafio: “Entre às ações, estamos sem tréguas lutando por uma epidemia que é a da cesariana, que impacta no índice de mortes de bebês no Brasil”.

Número expressivo

O ministro da saúde, Alexandre Padilha, afirma que o número é expressivo: “Se alguém pergunta por que existe o SUS, uma boa parte das respostas estão nesses números”, disse, acrescentando: “O Brasil reduziu a mortalidade infantil mais do que América Latina, que os Brics e que os países com renda média alta. Não serve de comemoração, mas, sim, de incentivo para continuarmos”.

Padilha também afirmou que quanto mais se reduz a taxa de mortalidade, o esforço para continuar a redução é preciso. Além disso, citou que hoje o Brasil está na mesma posição que a Argentina. "Há 20 anos estávamos muito pior que eles", afirmou.

O ministro destacou a importância da atenção primária em saúde, expansão do calendário de vacinas no Brasil e expansão de acesso ao parto hospitalar para esta mudança. Outro ponto levantado por ele é a importância de se voltar as atenções para a saúde indígena. “Grande parte das mortes se dão nas aldeias da região amazônica. O programa Mais Médicos deve, inclusive, ajudar nesse quadro”, afirmou.

Pelo mundo

No mundo, a queda de mortalidade na infância foi de 47% no período, ou seja, entre 1990 e 2012, o número de mortes de crianças passou de 12,6 a 6,6 milhões, quase a metade. Porém, 18 mil crianças de menos de cinco anos continuam morrendo a cada dia, segundo o levantamento. 

Os cinco países com os piores índices de mortalidade na infância estão no continente africano: Serra Leoa, Angola, Chade, Somália e Congo. Para o Unicef é fundamental a prevenção de doenças como pneumonia, diarreia e malária, que foram responsáveis, em 2012, pela maioria das 6,6 milhões de mortes de crianças com menos de cinco anos.

Além disso, o Unicef alerta que, em âmbito global, o ODM 4 poderá não ser atingido. De acordo com o órgão, a meta não será atingida se a média da queda de mortalidade se mantiver. “Pelo nosso estudo, 35 milhões de crianças no mundo estão sob risco se a meta não for atingida”, explica Cristina Alburquerque, coordenadora de desenvolvimento infantil do Unicef.

Onde falta médico, faltam dentistas e enfermeiros, mostra pesquisa

A concentração de médicos nos grandes centros acompanha a de outros profissionais de saúde, como dentistas e enfermeiros, e a de unidades de saúde. Onde falta um, faltam os outros.

É o que o mostra um recorte da pesquisa Demografia Médica no Brasil, que se baseou em dados da AMS (Assistência Médico-Sanitária) do IBGE, que conta os postos de trabalho ocupados por profissionais de saúde