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Bebê Sofia é submetida a nova cirurgia nos EUA

Bebê Sofia Lacerda Gonçalves, de 7 meses, descansa no colo da mãe Patrícia Gonçalves, após cirurgia que desobstruiu sua uretra. A menina ainda deve passar por novos procedimentos, antes de fazer transplantes do sistema digestório no Jackson Memorial Hospital, em Miami - Divulgação
Bebê Sofia Lacerda Gonçalves, de 7 meses, descansa no colo da mãe Patrícia Gonçalves, após cirurgia que desobstruiu sua uretra. A menina ainda deve passar por novos procedimentos, antes de fazer transplantes do sistema digestório no Jackson Memorial Hospital, em Miami Imagem: Divulgação

Eduardo Schiavoni

Do UOL, em Americana (SP)

06/08/2014 19h17Atualizada em 06/08/2014 19h54

A menina Sofia Lacerda Gonçalves, de sete meses, realizou na tarde desta quarta-feira (6) um procedimento cirúrgico para a desobstrução da uretra. O bebê, que tem o funcionamento do sistema digestório comprometido por uma síndrome rara, está na lista de espera para realizar o transplante de seis órgãos nos Estados Unidos. A operação foi feita no Jackson Memorial Hospital, em Miami.

A cirurgia, que terminou por volta das 16h (hora local), foi realizada para desobstruir a uretra de Sofia –que estava fechada, impedindo que a urina fosse retirada. A menina nunca fez xixi da forma convencional, sendo que o líquido é retirado da bexiga através de um procedimento chamado vesicostomia, que utiliza sondas antes que a urina chegue à uretra.  O problema do método é que a retirada não é completa e parte da urina permanecia na bexiga, o que poderia ocasionar doenças.  A intenção dos médicos é que passe a ser retirada através de sondas na uretra.

"Como ela nunca utilizou a uretra, a bexiga não esvazia completamente. Quando os médicos tentaram passar a sonda, perceberam que o canal estava fechado. Fizemos a cirurgia para que a sonda passe e, assim, seja possível esvaziar a bexiga por completo”, disse Patrícia Lacerda, mãe da menina.

Segundo o médico brasileiro Rodrigo Vianna, que atende Sofia e fará os seis transplantes de órgãos do sistema digestório que ela necessita para sobreviver, a criança continuará utilizando um cateter pela uretra para retirar a urina. “Depois dos primeiros anos, ela poderá ser treinada para conseguir urinar sem a necessidade de um cateter”, disse o médico. Ele ressaltou que o equipamento não será fixo e será utilizado apenas nos momentos de fazer a retirada da urina.

Quando estiver maior, segundo Vianna, será determinado um horário para que ela force a bexiga e comece a urinar sem a necessidade do cateter. “Não é um procedimento dolorido, muitas crianças aqui necessitam dele. Mas acreditamos que ela consiga aprender a urinar com o tempo”, disse.

Vianna também disse que, além dos órgãos que serão transplantados, é possível que parte da bexiga do doador também seja adicionada à bexiga de Sofia para facilitar o processo. “É uma situação que será avaliada”, disse Vianna.

Estado de saúde

Logo após passar pela cirurgia, Sofia voltou para o quarto. Ela passa bem e o procedimento foi considerado um sucesso pelos médicos. “Agora, ela está ainda mais preparada para o transplante. Foi mais uma batalha que nossa guerreira venceu”, afirmou a mãe, Patrícia. Em julho, a menina havia sido operada para resolver um sopro no coração.

Sofia precisa de transplantes do estômago, duodeno, pâncreas, intestino delgado e possivelmente intestino grosso, além do fígado. A entrada na lista de transplantes foi em 7 de julho e a espera pode durar até dois anos. O custo do procedimento é de R$ 2,4 milhões e será pago integralmente pelo governo brasileiro, assim como qualquer gasto médico que eventualmente ocorra durante a estada dela nos Estados Unidos.

Batalha

A batalha para que Sofia conseguisse o tratamento, no entanto, começou no nascimento da menina.A família procurou a Justiça para pedir que o governo custeasse o procedimento e teve que provar, através de laudas, que o transplante não poderia ser realizado no Brasil.

Em 28 de maio, o TRF-SP (Tribunal Regional Federal de São Paulo) atendeu o pedido e determinou que a União arcasse com o tratamento da bebê e pagasse o transplante. Após a decisão, Sofia deixou o Hospital das Clínicas de São Paulo e foi transferida para o Hospital Samaritano, em Sorocaba (a 99 km da capital paulista), onde seguiu internada até embarcar para os Estados Unidos. A família de Sofia chegou a pedir, em 16 de junho, a prisão do ministro da Saúde por descumprir a decisão, que vencera em 10 de junho, mas, no dia 17, o pagamento foi feito e ela embarcou assim que os problemas burocráticos foram resolvidos.