Governo segue OMS e muda novamente protocolo de notificação de microcefalia

Cristiane Capuchinho

Do UOL, em Recife

O Ministério da Saúde vai mudar nesta semana o protocolo de notificação da microcefalia, seguindo novos critérios da OMS (Organização Mundial da Saúde). Serão notificados como casos suspeitos de microcefalia meninas que nascerem com o perímetro cefálico menor que 31,5 centímetros e meninos com menos que 31,9 centímetros. As medidas novas são pouco menores do que os 32 centímetros usados até o momento.

A mudança servirá para que os dados de notificação do Brasil possam ser comparáveis com as informações de outros países.

"A doença deixou de ser uma preocupação exclusivamente brasileira. Queremos que o que temos vivido no Brasil possa servir de experiência para outros países, e os dados daqui possam ser comparados cientificamente com os de outros países", afirmou Cláudio Maierovitch, diretor do Departamento de Vigilância de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, durante seminário internacional sobre zika e microcefalia no Recife.

A epidemia de zika atinge ao menos 28 países, e Brasil, Polinésia Francesa, El Salvador, Suriname, Colômbia e Venezuela já reportaram à OMS aumento de casos de síndrome de Guillain-Barré e de microcefalia, associadas ao vírus da zika.

Vale lembrar que o governo brasileiro classifica como microcefalia a má-formação do cérebro em que o tamanho é o principal sinal, mas pode haver bebês com cabeças pequenas e sem lesões neurológicas. Inicialmente eram notificados os bebês com cabeça menores de 33 centímetros, mas o número foi reajustado também para se adequar às normas da OMS.

Não é só microcefalia

A redução das medidas usadas como critério para notificação pode até diminuir o número de notificações de microcefalia nos próximos meses, no entanto, é esperado que a taxa de casos confirmados de más-formações ou lesões neurológicas aumente.

As notificações são tanto de bebês com cabeça menor do que o esperado, quanto de fetos que apresentam problemas de formação no cérebro ainda na barriga -- mas que possuem perímetro cefálico normal. Todos passam por exames para detectar se há má-formação e se ela foi provocada por uma infecção na mãe, só então entram na contagem de casos confirmados - não só de microcefalia, portanto, mas também de alguma lesão cerebral.

Segundo o Ministério da Saúde são casos confirmados aqueles que apresentam alterações típicas indicativas de infecção congênita, como calcificações intracranianas, dilatação dos ventrículos cerebrais ou alterações de fossa posterior entre outros sinais clínicos observados por qualquer método de imagem ou identificação do vírus Zika em testes laboratoriais. Por isso, os especialistas já estudam chamar a condição dos bebês de "síndrome da zika congênita" e não só microcefalia.

Até o momento, foram confirmados 641 casos de microcefalia e outras alterações do sistema nervoso. Outros 4.222 casos suspeitos estão sendo investigados em todo o país.

De acordo com Maierovitch, o número de casos de más-formações computadas pela rede de saúde aumentou 20 vezes desde que a epidemia de zika começou, na comparação com os últimos anos. A comparação, porém, é aproximada, porque os critérios de registro mudaram ao longo do tempo.

Pesquisas

Atualmente, o Brasil tem parcerias com os Estados Unidos em várias vertentes do combate à zika. Entre elas, o desenvolvimento da vacina contra o vírus, de tratamentos para a infecção e também de tecnologias de combate ao mosquito Aedes aegypti, vetor do vírus da zika e da dengue.

As armas contra o Aedes

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