Beijo em bebês pode transmitir de gripe a doenças fatais; veja cuidados

Fernando Cymbaluk

Do UOL, em São Paulo

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Bebês precisam de carinho e proteção, isso significa muitas vezes ser "o chato" e impedir um beijo. A fragilidade de seu organismo facilita o contágio por vírus, fungos e bactérias que podem estar presentes na saliva de crianças mais velhas e adultos. Em casos mais raros, podem provocar quadros graves e levar à morte. 

Recentemente nos EUA, um bebê de 18 dias morreu em decorrência de uma encefalite (inflamação no cérebro) provocada pelo vírus da herpes transmitido por um beijo.

Para prevenir de doenças, é necessário impedir a aproximação de pessoas com sintomas de herpes, gripes e resfriados e evitar que salivas alheias cheguem à boca do bebê.

Selinho não deve ser dado por ninguém. As mãos também não são para serem beijadas, já que o bebê pode colocar elas na boca. "O melhor lugar para beijar são os pés e a testa", diz Mariane Cordeiro Alves Franco, da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Esses cuidados devem ser tomados principalmente nos dois primeiros meses de vida, quando a criança conta apenas com as defesas naturais adquiridas durante a gestação, e até os seis meses, período em que são dadas as primeiras vacinas. 

"Quanto menorzinho o bebê, maiores são os riscos", afirma Sônia Ramos, pediatra do Hospital Municipal Infantil Menino Jesus. O aleitamento materno e a vacinação precoce são importantes justamente para que a criança adquira anticorpos contra doenças.

As recomendações incluem ainda evitar aglomerações e lavar as mãos com água e sabão antes de segurar o bebê no colo. 

Dentre os males mais comuns que podem ser causados pelo beijo, tosse, espirro ou contato com objetos contaminados estão as infecções na garganta, ouvido e boca, gripe, resfriado e herpes. Bebês muito pequenos podem pegar o vírus sincicial respiratório, que pode levar a graves consequências em pré-maturos.

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Transmitida pelo beijo, herpes pode ser fatal em bebês

Meningite é risco

Beijar um bebê pode passar também mononucleose infecciosa (também conhecida como doença do beijo) e monilíase oral (o famoso sapinho, causado por fungo). Vírus, fungos e bactérias podem ainda causar pneumonias, inflamações nas meninges e no encéfalo - caso mais raro, porém mais grave.

Segundo Ramos, a meningite é a doença que representa maior risco por ser mais comum que a encefalite e por deixar sequelas graves, como retardo mental. A vacina pentavalente (ministrada aos 2, 4 e 6 meses, além de reforço) e a meningocócica C (3 e 5 meses e mais reforço) protegem contra causadores da meningite.

A vacinação é importante, mas bebês podem contrair doenças para as quais não existe vacina ainda. "Ainda não temos vacinas para os principais vírus respiratórios, com exceção da influenza [causadora da gripe], cuja vacina está indicada a partir dos 6 meses de idade", diz Ramos. Também não existe vacina contra o vírus do herpes e contra a micose oral.

"A evolução de cada doença irá depender da imunidade da criança", diz Franco. Crianças que possuem doenças de base como o HIV, que fragilizam o sistema imunológico, são mais vulneráveis a infecções. Nesses casos, há maior risco de morte.

Os bebês tornam-se mais resistentes após o primeiro ano de vida.

As especialistas explicam que isso tudo não significa superproteção. "Há necessidade de exposição da criança ao meio ambiente, de forma segura, sem exageros, sempre dentro das boas práticas de higiene e segurança infantil", diz Franco. Afinal, brincar e interagir também são formas do corpo aprender a viver nesse mundo.

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