Vírus da zika não é transmitido pelo beijo, comprova estudo

Do UOL, em São Paulo

  • James Gathany/Centers for Disease Control and Prevention via AP

Um estudo publicado nesta terça-feira (1º) na revista científica Nature Communications confirmou que o vírus da zika não pode ser transmitido pelo beijo, diferentemente de hipóteses levantadas no auge da epidemia, em junho de 2016.

De acordo com pesquisadores da Universidade de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos, o contato casual --como beijar ou compartilhar um garfo ou uma colher-- não é suficiente para que o vírus se mova entre os hospedeiros. As picadas de mosquito, como os cientistas explicam, são a fonte da maioria das infecções.

"Se a transmissão do vírus por contato casual fosse fácil, o número de casos da chamada transmissão secundária seria muito maior em lugares como os Estados Unidos", afirmou Tom Friedrich, professor de virologia da universidade americana. "Não tem sido nada comum vermos a disseminação do zika sem a presença dos mosquitos que carregam o vírus."

Após a contaminação, segundo os pesquisadores, o vírus se mantem presente no sangue e na saliva dos infectados por até duas semanas, mas permanece em fluidos corporais --como o leite materno-- por semanas e no sêmen por meses, o que justifica a propagação da zika por relações sexuais.

Há, no entanto, muito sobre o vírus que permanece desconhecido - inclusive, até recentemente, se a saliva de uma pessoa infectada representava um perigo. E foi justamente em meio à incerteza sobre outras formas potenciais de transmissão da zika que o Instituto Nacional de Saúde dos EUA decidiu financiar o estudo da saliva.

Foram usados macacos infectados com as cepas do vírus que circulam na América do Norte e do Sul. Os pesquisadores colheram as salivas dos animais com zika e passadas nas amígdalas de cinco macacos não  infectados. Nenhum dos primatas saudáveis desenvolveu a infecção.

"As cargas virais na saliva são baixas, mas também há substâncias antimicrobianas, o que torna esse nível baixo do zika ainda menos infeccioso", explicou Christina Newman, coautora do estudo.

Como acrescentou Dawn Dudley, pesquisadora da Faculdade de Medicina e Saúde Pública da UW-Madison, a saliva também é um material viscoso. "Isso dificulta a capacidade de o vírus se movimentar e chegar às células que pode infectar."

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