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Unicamp avança em vacina única contra meningite e zika ao mesmo tempo

Ideia para unir os dois patógenos em uma única vacina surgiu enquanto pesquisador lavava louça - Science Photo Library
Ideia para unir os dois patógenos em uma única vacina surgiu enquanto pesquisador lavava louça Imagem: Science Photo Library

Carolina Marins

Do UOL em São Paulo

30/08/2018 16h45

Pesquisadores da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), em São Paulo, desenvolveram um protótipo de vacina com potencial para proteger contra duas doenças ao mesmo tempo: a meningite meningocócica e a zika. Com o sucesso dos testes in vitro (em tubos de ensaio) e em camundongos, a equipe da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da universidade espera chegar a um produto final nos próximos cinco anos.

Para desenvolver a imunização dupla, os pesquisadores uniram a bactéria que causa a meningite com o vírus da zika. A ideia de juntar esses dois organismos surgiu de uma maneira inusitada: enquanto o professor Marcelo Lancellotti lavava louça.

“Pensei comigo: será que duas membranas como da bactéria da meningite e do vírus da zika não poderiam se juntar?”, conta o pesquisador. A resposta foi positiva, como demonstraram os testes realizados em laboratório.

O pesquisador explica que ambos os organismos são envoltos por uma membrana. “Quimicamente falando, trata-se de estruturas que lembram muito as nossas membranas celulares", disse.

Ao juntar as duas membranas, os pesquisadores obtiveram uma estrutura maior que foi inserida em camundongos. Resultado: os animais desenvolveram anticorpos contra o meningococo e contra o vírus da zika.

Os pesquisadores registraram um pedido e patente e publicaram os achados na revista Scientific Reports.

Mais testes são necessários

Apesar dos resultados animadores em camundongos, que apresentaram o que se chama de 'resposta imunológica', serão necessários mais testes, uma vez que esses animais não se infectam com meningite ou zika.

“Ainda temos um longo caminho pela frente. Iremos otimizar o processo de produção para termos maiores quantidades de vacina para testes em humanos. Acreditamos que [demore] no mínimo mais 5 ou 6 anos de estudo para chegarmos a algo mais palpável para a população. Essa fase de otimização é importante inclusive para tentarmos diminuir os custos de produção e deixar a vacina mais acessível economicamente”, diz Lancellotti.

Se funcionar em humanos, além da praticidade de proteger contra duas doenças, a vacina tem a vantagem de não trazer ovos embrionários em sua composição, o que evita reações alérgicas e efeitos colaterais.