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Vai viajar ao exterior? Veja que cuidados tomar em tempos de coronavírus

26.fev.2020 - Funcionário do Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, usa máscara ao auxiliar passageiros. Brasil confirmou primeiro caso do novo coronavírus - NELSON ALMEIDA/AFP
26.fev.2020 - Funcionário do Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, usa máscara ao auxiliar passageiros. Brasil confirmou primeiro caso do novo coronavírus Imagem: NELSON ALMEIDA/AFP

Lucas Borges Teixeira

Colaboração para o UOL, de São Paulo

02/03/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Destino e condição de saúde do passageiro são fatores a levar em conta
  • Não há proibição de viagem, mas é aconselhável acompanhar lista de países em monitoramento
  • Pontos turísticos e transportes exigem cuidados específicos
  • Cancelamento da passagem depende das companhias aéreas

Para quem está com viagem marcada para o exterior, as notícias de que o coronavírus já atingiu 46 países e de que o primeiro caso foi confirmado no Brasil devem gerar uma série de perguntas sobre como proceder com os preparativos e até se é prudente ou não embarcar.

A resposta não é tão simples. Tudo depende do destino escolhido, da condição de saúde do passageiro e do que irá fazer ao desembarcar, além de outros cuidados que podem ser tomados. Mas como se precaver? Há países que devem ser evitados? E se a passagem já estiver comprada? Veja a seguir:

Evite países em monitoramento

Não é só na China, país que concentra mais de 90% dos casos registrados, que você deve tomar cuidado. A primeira questão a fazer sobre o seu destino final é se o país tem um número relevante de transmissão local (ou seja, entre cidadãos) ou não.

É o que a OMS (Organização Mundial de Saúde) e o Ministério da Saúde chamam de "países em monitoramento".

O governo informa que não há proibição de viagem para nenhum país (a própria OMS é contra essa prática), mas há uma lista de países em monitoramento, com alto número de transmissão local.

Atualmente, são 16: Alemanha, Austrália, Camboja, China, Coreia do Norte, Coreia do Sul, Emirados Árabes Unidos, Filipinas, França, Irã, Itália, Japão, Malásia, Singapura, Tailândia e Vietnã.

Nesses países, a recomendação do governo é que o cidadão tenha "bom senso". Ou seja, se for possível, que os evite.

Evite grandes aglomerações

Se a viagem for a turismo, é natural que estejam na lista os pontos mais famosos — e, consequentemente, mais lotados — do destino.

A OMS recomenda, no entanto, que se evitem lugares fechados com muitas pessoas, em especial nos países com transmissão ativa. Por isso, por mais que seja atrativo entrar em alguns locais tradicionais, é melhor pensar duas vezes.

Também é preciso ver se os monumentos estarão abertos. A China, por exemplo, fechou por tempo indeterminado seus principais pontos turísticos, como a Cidade Proibida e a Muralha, e outros pontos de reunião de grandes grupos, como cinemas e casas de espetáculos, para evitar o aumento da circulação do vírus.

O Japão anunciou o fechamento da Disney Tóquio por duas semanas, enquanto a administração do antigo campo de concentração de Auschwitz, na Polônia, informou que impedirá a entrada de turistas de países em monitoramento.

Cuidado nos meios de transporte

Os transportes públicos, como ônibus ou metrô, também exigem cautela. A recomendação é que se evite ao máximo tocar em barras e catracas com as mãos. O mesmo serve para transportes "privados". Em táxis e carros de aplicativos, procure restringir o contato com as maçanetas.

Ao desembarcar, tente lavar as mãos ou desinfetá-las com álcool gel.

Nos aeroportos, como em qualquer local de grande movimentação de turistas, evite passar a mão em corrimãos e balcões e, nos voos, use os panos umedecidos fornecidos pelas empresas.

Companhias aéreas ao redor do mundo têm expedido comunicados para reafirmar as condições de higienização das aeronaves em busca de evitar contaminação.

Cuidados com o coronavírus

Band News

Viajar com gripe pode trazer problemas

Agora que o Brasil entrou oficialmente para a lista dos países com casos confirmados, os brasileiros também passam a ser vistos como casos potenciais — mesmo que o país não esteja no grupo de monitoramento.

Viajar com gripe comum, além de trazer desconforto, pode trazer problemas para o viajante.

Desde janeiro, a OMS recomenda que aeroportos internacionais façam exames em turistas vindos de países com casos da doença para checar se estes apresentam os sintomas.

Governos da China, Japão, Singapura e Estados Unidos, entre outros, adotaram também scanners de temperatura corporal para identificar viajantes febris.

Além disso, não haverá proibição de viajantes com gripe, mas um dos principais cuidados recomendados aos doentes pelo Ministério da Saúde é que fiquem em casa.

Máscara cirúrgica não resolve o problema

Pode comprar algumas máscaras cirúrgicas para colocar na mala, mas é importante lembrar que seu uso pode ajudar, mas não resolve o problema.

Na verdade, elas são mais recomendadas a quem está doente, para tentar fazer a filtragem do vírus, só que não apresentam 100% de eficiência.

O uso dessas máscaras também não está entre as técnicas de prevenção citadas pelo Ministério da Saúde, que as recomendas aos profissionais que vão tratar a doença, junto ao resto da roupagem adequada.

Logo, usá-las em lugares de alta movimentação turística não fará mal, mas também não garante imunidade total.

Em caso de uso, a OMS sugere troca periódica e evitar tocar nela com as mãos.

Para cancelar passagem, depende da companhia

Como, na situação atual, não há restrição oficial por parte do governo a viagens para os países, não é obrigatório que nenhuma companhia aérea cancele sua passagem por conta do coroanavírus.

Ao UOL, a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) informou que "a alteração ou o cancelamento de passagens aéreas por iniciativa do passageiro estão sujeitos às regras contratuais da tarifa adquirida". Ou seja, é possível que taxas sejam cobradas.

A companhia aérea só será obrigada a oferecer reembolso ou mudança de data sem adicionais se a alteração da programação for feita por ela e não for avisada com até 72h de antecedência, conforme determina a Anac.

As soluções estão partindo das companhias. Algumas empresas, como o grupo Air France-KLM, cancelaram os voos para a China pelo menos até o fim de março, a depender "da evolução da situação". Viajantes com passagem comprada podem escolher cancelar ou alterar a reserva sem custo.

Já a Latam está oferecendo o cancelamento ou adiamento de até 15 dias sem custos para os voos com destino a Milão, na Lombardia, região com maior número de casos de coronavírus na Itália.

A dica é: consulte a sua companhia aérea.

Lave as mãos com frequência, entre outros cuidados

No mais, de acordo com o Ministério da Saúde, os cuidados que os viajantes devem tomar são os cuidados que todo cidadão deve ter para tentar evitar a proliferação deste tipo de vírus.

Entre os cuidados estão:

  • Lavar as mãos frequentemente com água e sabonete por pelo menos 20 segundos. Se não houver água e sabonete, álcool gel é recomendado;
  • Evitar tocar nos olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas;
  • Evitar contato próximo com pessoas doentes;
  • Ficar em casa quando estiver doente;
  • Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar com um lenço de papel e jogar no lixo;
  • Limpar e desinfetar objetos e superfícies tocados com frequência.

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