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DF: Médico é investigado por kit com 'imunidade de leão' contra coronavírus

Jéssica Nascimento

Colaboração para o UOL, em Brasília

01/04/2020 19h32

Após anunciar pelas redes socais um kit para fortalecer a imunidade e evitar os sintomas "mais graves" da covid-19, o novo tipo de coronavírus, um médico brasilense teve o direito ao exercício profissional interditado pelo Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF). O médico Pedro Henrique Leão também está sendo investigado pela Polícia Civil. A Coordenação de Repressão aos Crimes contra o Consumidor (CORF) informou que Leão já foi ouvido. Agora, a perícia está analisando o material que o médico vendia para descobrir a eficácia do medicamento.

O kit era vendido com o nome de "imunidade de Leão." Segundo o vídeo publicado pelo médico, os remédios eram separados por idades: menores e maiores de 15 anos e acima de 50. Apesar de ressaltar que o medicamento não era responsável por prevenir o coronavírus, Leão prometeu que o paciente - que fosse contaminado - teria uma cura mais rápida.

"Investir na imunidade é muito mais importante do que na prevenção, porque vai ser muito difícil escapar desse vírus. O remédio não previne, mas caso você seja acometida pela doença, terá um poder de resposta imunológica suficiente para que você não tenha as complicações mais sérias", disse o médico.

O kit era vendido de R$ 286 a R$ 1.266. Após várias denúncias contra o médico, o CRM entendeu que ele estava se aproveitando do pânico e da inocência das pessoas diante da pandemia de coronavírus para ofertar procedimentos. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União ontem.

"Em sessão plenária realizada no último dia 26, o CRM-DF decidiu interditar totalmente o direito ao exercício profissional do médico Pedro Henrique Martins Leão (CRM-DF nº 20275), até o julgamento do Processo Ético Profissional nº 07/2020. Com isso, o médico fica impedido de exercer a profissão em todo o Brasil. A medida teve como fundamento as denúncias atribuídas ao profissional em meio a Pandemia de Coronavírus e também visa prevenir possíveis novos danos causados pelo médico à população", disse a nota.

O que diz a defesa

Ao UOL, o advogado do médico disse que decisão do CRM foi precipitada e desproporcional. Segundo Pedro Silvestre, foi aplicada uma medida extrema numa decisão onde sequer foi dado o direito de defesa.

"A postagem foi expressa no sentido de que o composto não evita o coronavírus, mas que melhora a resposta imunológica. Afirmar a ineficácia da fórmula seria ignorar tudo que se tem conhecimento sobre alta e baixa imunidade", disse Pedro Silvestre.

Segundo a defesa, interditar um profissional que nunca sofreu nenhuma punição nem denúncia por erro médico, além de provar colaboradores que dependem do trabalho de Leão, "não faz sentido algum"

"O ato de interdição cautelar é tão raro que praticamente não existem decisões nesse sentido, mesmo sendo de conhecimento de todos que diariamente médicos cometem erros graves que matam, deformam, incapacitam e cegam pacientes. O médico espera que prevaleça o bom senso que sempre norteou as decisões do CRM e da Justiça e informa que as medidas judiciais estão sendo tomadas para reversão da decisão, informou o advogado.

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