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Ceasa de BH não tem desabastecimento ao contrário do que Bolsonaro postou

Daniela Mallmann e Nathan Lopes

Colaboração para o UOL, em Belo Horizonte, e do UOL, em São Paulo

01/04/2020 11h32Atualizada em 02/04/2020 08h55

Resumo da notícia

  • Presidente voltou a atacar governadores e prefeitos em mensagem que acompanhava vídeo; publicação foi apagada
  • Reportagem esteve hoje na Central de Abastecimento da Grande BH e constatou funcionamento do local
  • Ceasa diz acreditar que imagens compartilhadas por Bolsonaro tenham sido feitas no sábado, após o cancelamento de uma feira
  • Comerciantes do local afirmam não haver falta de alimentos para consumo, mas se queixam de queda nas vendas

A Ceasa (Central de Abastecimento) de Contagem, na Grande Belo Horizonte, não apresenta problemas de desabastecimento como fez crer um vídeo publicado hoje de manhã pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) nas redes sociais. O vídeo foi apagado pelo mandatário horas depois. À noite, o presidente da República pediu desculpas por ter divulgado uma informação falsa em suas redes sociais.

A reportagem do UOL esteve no local nesta manhã e observou movimento normal, com os corredores da central com caixas com diversos tipos de alimento e produtores trabalhando.

O vídeo foi postado pelo presidente cerca de 12 horas depois de ele baixar o tom de seu discurso e pedir um pacto nacional no combate ao novo coronavírus. Na mensagem que ele escreveu acompanhando o vídeo, Bolsonaro voltava a atacar prefeitos e governadores, mas sem citar nomes.

Ele escreveu que o vídeo trazia "fatos e realidades que devem ser mostradas". "Depois da destruição, não interessa mostrar culpados".

Post apagado por Bolsonaro continha informações falsas sobre a Ceasa de Belo Horizonte - Reprodução
Post apagado por Bolsonaro continha informações falsas sobre a Ceasa de Belo Horizonte
Imagem: Reprodução

No vídeo, um homem não identificado diz falar da Ceasa da região metropolitana em 31 de março (ontem) e afirma que a central sofre de "desabastecimento".

Ontem, terça-feira, é um dos dias de limpeza na central, quando o local fica vazio, segundo a Seapa (Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento) de Minas Gerais.

"Para você que falou, depois do discurso do presidente, que economia não era importante, que o importante eram vidas, dá uma olhada nisso aí. Pois é, fome também mata. Fome, desespero, caos também matam, ok? Não esquece disso, não", diz o homem do vídeo.

1º.abr.2020 - Corredores da Ceasa da capital mineira mostraram dia de movimentação normal - Daniela Malmann/Colaboração para o UOL
1º.abr.2020 - Corredores da Ceasa da capital mineira mostraram dia de movimentação normal
Imagem: Daniela Malmann/Colaboração para o UOL

Segundo a Ceasa, o homem que que fez o vídeo ainda não foi identificado. "Até o presente momento, nós não conseguimos identificar quem é a pessoa, se é comprador ou se é um visitante que veio para a feira", informou o órgão.

O homem diz que a culpa do suposto desabastecimento "é dos governadores, viu?". A fala possui um erro. Em nenhum lugar do país, atividades essenciais, como os setores de abastecimento, estão proibidas de funcionar. A atuação dessas áreas está mantida, mas respeitando recomendações do Ministério da Saúde de evitar aglomerações.

Bolsonaro tem se mostrado contra o isolamento social para barrar a expansão da pandemia do novo coronavírus no Brasil, que já matou mais de 200 pessoas no país, com mais de 5.000 casos registrados. O discurso tem deixado o presidente isolado politicamente, já que a tese é rejeitada por órgãos de saúde do Brasil e de todo mundo, incluindo o Ministério da Saúde de seu próprio governo.

Dia de limpeza

Em nota, a Seapa confirmou que a informação do vídeo é falsa. "A limpeza do MLP, local em que o vídeo foi gravado, é realizada todas as terças, quintas-feiras e sextas-feiras, no período da tarde, e aos finais de semana. Não é permitido no momento da limpeza a permanência das caixas com os alimentos."

A Ceasa diz acreditar que as imagens foram feitas no sábado (28), quando haveria uma feira de produtores que acabou sendo cancelada para evitar aglomeração de pessoas. A central também disse que "não há qualquer desabastecimento em seus entrepostos em razão do coronavírus".

Sobre prevenção, a Ceasa diz que "as atividades em seus entrepostos foram adequadas no sentido de reduzir o fluxo de pessoas, sem afetar o abastecimento".

Segundo os próprios produtores disseram hoje a reportagem do UOL, não falta alimento. Eles se queixam, porém, de que as vendas caíram.

"Os produtos estão todos aqui, estamos é precisando de clientes para virem consumir" desabafou Nilson Martins Alves, produtor rural.

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