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Saúde estuda ampliar uso da cloroquina para pacientes com sintomas leves

Possibilidade de ampliar uso de cloroquina está em estudo - iStock
Possibilidade de ampliar uso de cloroquina está em estudo Imagem: iStock

Felipe Amorim

Do UOL, em Brasília

07/04/2020 17h56Atualizada em 07/04/2020 20h07

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou que está em estudo a autorização do uso da hidroxicloroquina e da cloroquina para pacientes com quadros leves da covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus.

O Ministério da Saúde já havia autorizado que médicos utilizassem as substâncias para pacientes graves, que estão internados, e pacientes críticos, que estão em leitos de UTI.

A autorização, se concedida, não equivale à orientação de que o medicamento deva ser utilizado, mas apenas à permissão de que médicos prescrevam a substância no tratamento de seus pacientes.

Ainda não há estudos que comprovem a eficácia da hidroxicloroquina e da cloroquina no tratamento da covid-19, mas o uso da substância vem sendo feito experimentalmente e está sendo analisado por pesquisadores.

Segundo Mandetta, está em estudo se o uso em pacientes com sintomas leves poderia ter o efeito de evitar o agravamento do quadro, mas é preciso avaliar os riscos trazidos pelos efeitos colaterais do medicamento.

"Se a gente fizer uso quase que profilático, para evitar que eles tenham problema à frente, isso ainda existe algum tipo de dúvida, porque tem efeitos colaterais", disse Mandetta.

O ministro afirmou que hoje que há no país nove pesquisas em andamento sobre medicamentos que podem ser utilizados no tratamento ao coronavírus. Os estudos abrangem cerca de 100 centros de pesquisa e cinco mil pacientes com quadros de leve a grave.

As principais substâncias sendo pesquisadas são a cloroquina, hidroxicloroquina com azitromicina, remdevir, lopinavir com ritonavir, interfeton beta b1, hidroxicloroquina, dexametasona, tocilizumabe e plasma convalescente.

O Ministério da Saúde espera que os primeiros resultados preliminares dos estudos sejam conhecidos a partir do dia 20 deste mês.

Risco de causar arritmia cardíaca

O secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos em Saúde, do Ministério da Saúde, Denizar Vianna, afirma que o principal efeito colateral da hidroxicloroquina e da cloroquina é a possibilidade de causar arritmia cardíaca.

"O coração é uma bomba que depende da ativação de um sistema elétrico proprio. Esse medicamento pode produzir um prolongamento de uma dessas fases elétricas do coração e propiciar um ambiente favorável a uma arritmia que pode ser potencialmente fatal", afirma Vianna.

Ele explica que a hidroxicloroquina e a cloroquina são substâncias análogas, de aplicação e efeitos semelhantes.

Testes mostraram que a hidroxicloroquina pode ser mais tóxica no uso a longo prazo, o que não seria o caso da utilização para o tratamento da covid-19, diz Vianna.

"Há um conhecimento prévio muito grande desses medicamentos. Tanto dos seus benefícios, quando dos seus potenciais eventos adversos", ele afirma.

"O quê que nos preocupa no curto prazo: é o potencial de gerar arritmias cardíacas", diz o secretário do Ministério da Saúde.

Presidente entusiasta

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tem se mostrado um entusiasta da hidroxicloroquina e da cloroquina como alternativa de tratamento ao vírus, embora ainda não haja consenso científico sobre sua eficácia.

Segundo a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) os estudos disponíveis sobre esses medicamentos ainda não são conclusivos.

Hoje, as substâncias são utilizadas no tratamento de lúpus e malária, por exemplo.

Médicos e pesquisadores em diferentes países tem estudado o uso das substâncias no tratamento a pacientes com o novo coronavírus.

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