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Coronavírus: Ceará registra mortes em casa e orienta doentes a irem ao PS

Pelo menos quatro óbitos ocorreram no estado do Ceará, sem internação hospitalar - MARCELLO ZAMBRANA/ESTADÃO CONTEÚDO
Pelo menos quatro óbitos ocorreram no estado do Ceará, sem internação hospitalar Imagem: MARCELLO ZAMBRANA/ESTADÃO CONTEÚDO

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Maceió

11/04/2020 04h00

Resumo da notícia

  • A morte de pacientes em casa em decorrência da covid-19 preocupa autoridades no Ceará
  • Pelo menos quatro óbitos ocorreram no estado sem internação hospitalar
  • Campanha orienta pessoas com comorbidades a buscar uma unidade de saúde em caso de sintomas
  • O Ceará registra 1.514 casos confirmados de covid-19, com 62 mortes, segundo dados divulgados ontem

A morte de pacientes em casa por covid-19 está preocupando autoridades no Ceará, que lançaram uma campanha de orientação para que as pessoas com comorbidades (ocorrência de duas ou mais doenças relacionadas) não demorem para se dirigir a uma unidade de saúde, em caso de sintomas.

Pelo menos quatro óbitos ocorreram no estado sem internação hospitalar. "São pessoas que estavam em casa ou a caminho de um hospital. Hoje temos UTIs [unidades de terapia intensiva] lotadas e emergências vazias", explica Antônio Silva Lima Neto, que é pós-doutor na Escola de Saúde Pública de Havard e atua na vigilância epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde de Fortaleza.

O cenário de pouca busca às unidades de saúde chama a atenção do especialista, que alerta para outro fenômeno preocupante: as mortes por covid-19 em locais que não registraram casos oficiais da doença causada pelo novo coronavírus.

"Essa é uma questão bastante preocupante. Temos bairros de Fortaleza com poucos casos, mas que registram óbitos. E cidades que não têm casos, mas têm um óbito. Isso é grave, porque morte é um marcador de circulação viral", completa.

Campanha para pessoas irem ao pronto atendimento

A reportagem do UOL constatou que, no Ceará, há pelo menos duas cidades cuja situação chama a atenção. Farias Brito só registra uma morte, sem outros diagnósticos de covid-19. Em Eusébio foram três casos confirmados, dois deles culminando em óbitos.

"Isso quer dizer que deve haver uma relutância, ou é um idoso que morre sozinho, já que essa doença causa um comprometimento pulmonar muito rápido — e pode não ter havido tempo para chegar a um atendimento. Por isso, estamos iniciando hoje uma campanha de orientação para pacientes com alguma comorbidade, que apresentam febre persistente, para buscarem a unidade de pronto atendimento antes mesmo de apresentar cansaço", explica o integrante da secretaria municipal.

Lima Neto explica que, para entender melhor a disseminação do vírus no estado, existe a necessidade de realizar mais testes, especialmente para as áreas que começam a registrar mortes. "A gente depende de testes e mais testes para não pegar só o topo do iceberg", diz.

De acordo com o especialista, um levantamento preliminar dos casos de morte no Ceará apontou que, em média, um paciente leva cinco dias de sintomas até procurar uma emergência.

"Em um dos óbitos, a pessoa levou nove dias para ir [a uma unidade], teve outra que levou 11 dias. É difícil afirmar sem pesquisa, mas como a gente interpreta uma emergência vazia? As pessoas estão relutando para ir [ao hospital], às vezes acham que estão controlando [a doença] em casa, mas a situação clínica desse paciente pode se deteriorar rapidamente. Ele pode ter a sensação de que está bem, mas forma-se um quadro grave de insuficiência", pondera Lima Neto.

Ceará líder no NE

O Ceará registra 1.514 casos confirmados de covid-19, com 62 mortes, segundo divulgou ontem a secretaria de Saúde do estado. No ranking nacional, é o terceiro estado em número absoluto de casos e líder no Nordeste.

Lima Neto explica que esse cenário pode ser explicado por duas questões: o grande número de testes feitos e a circulação antecipada do vírus em relação, por exemplo, aos demais estados do Nordeste.

"Nossa letalidade está de acordo com o padrão internacional. Estamos fazendo testagem em todo mundo que a gente possa testar. Mas uma coisa é certa: nossa transmissão foi mais cedo [em comparação a outros estados do Nordeste], senão não teria tantos casos positivos. Hoje temos 1.200 somente em Fortaleza, cidade que teve uma contaminação muito intensa, principalmente nas áreas mais ricas, mas que agora já se estendeu para as áreas menos favorecidas", finaliza.

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