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Com covid, Witzel relata febre alta e tosse: "Não é gripe fácil de superar"

Wilson Witzel (PSC), governador do Rio de Janeiro - Dikran Junior/Futura Press/Estadão Conteúdo
Wilson Witzel (PSC), governador do Rio de Janeiro Imagem: Dikran Junior/Futura Press/Estadão Conteúdo

Gabriel Sabóia

Do UOL, no Rio

16/04/2020 12h57

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), usou as suas redes sociais, na tarde de hoje, para atualizar informações em relação ao seu estado de saúde. Com covid-19 confirmada desde a última terça-feira (14), o governador afirmou que os exames realizados não apontaram estado crítico da infecção pelo coronavírus.

"Fiz uma tomografia e o meu pulmão não foi muito atingido [pela doença]. O contágio foi pequeno, mas mesmo assim tive muita febre e muita tosse. Tenho passado as noites em claro. Não é uma doença como qualquer outra, não é uma gripe fácil de superar", afirmou. O comentário foi interpretado por alguns seguidores como uma alfinetada no presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que chegou a se referir à doença como "uma gripezinha".

O governador afirmou que, apesar dos sintomas, segue trabalhando. "Com repouso, seguindo as restrições médicas, sigo trabalhando do Palácio Laranjeiras, despachando. Minha esposa tem cuidado de mim, tomando os devidos cuidados de usar máscara e álcool em gel", afirmou.

Witzel concluiu pedindo para que a população mantenha o isolamento social. "Eu tomei todos os cuidados e, mesmo assim, fui contaminado. Qualquer contaminação dessa doença é um risco de vida".

Witzel segue em isolamento

Na última terça, quando afirmou via Twitter que estava com coronavírus, Witzel informou que seguiria trabalhando e alertou a população para o perigo da contaminação.

"Quero comunicar a todos que desde sexta-feira não venho me sentindo bem. Pedi para que fosse feito o teste para covid e o resultado foi positivo. Tive febre, dor de garganta, perda de olfato", disse na ocasião.

"Graças a Deus estou me sentindo bem e continuarei trabalhando, aqui do Palácio Laranjeiras, mantendo as restrições e recomendações médicas. E tenho certeza que vou superar mais essa dificuldade. Mas podem contar comigo, vou continuar trabalhando. Peço mais uma vez para que fiquem em casa, porque a doença, como todos podem estar percebendo, não escolhe ninguém e o contágio é rápido", completou.

Medidas de restrição no RJ

Na segunda-feira (13), o governador prorrogou até o próximo dia 30, as medidas que restringem a circulação de pessoas em todo o estado. O decreto faz parte da política de enfrentamento à pandemia do coronavírus.

Segue decretado o fechamento de escolas públicas e privadas, creches e instituições de ensino superior. Também continuam proibidos eventos esportivos, shows e outros eventos que ocasionem a aglomeração de pessoas.

Cinemas, teatros, lonas culturais, shopping centers e academia de ginásticas também devem permanecer fechados. Os demais tipos de comércio estão autorizados apenas a realizar atendimentos em domicílio, no esquema "delivery".

Agenda de Witzel inclui reuniões e entrevistas presenciais

Defensor do isolamento social, Witzel cumpriu uma agenda atribulada, nas últimas semanas. No Palácio Guanabara —sede do Executivo fluminense— ele realizou entrevistas coletivas na última semana, onde recebeu jornalistas de vários veículos de imprensa.

Durante as sabatinas, Witzel ficava a alguns metros dos jornalistas, respeitando as recomendações das autoridades de saúde. No entanto, secretários e assessores de imprensa mantinham-se próximos do governador, sem qualquer tipo de proteção.

Nas suas redes sociais, também é possível ver o governador reunido com membros do seu secretariado e autoridades de saúde, nas quais traçou as estratégias de combate ao coronavírus.

Na última sexta-feira (9), dia em que disse ter pedido para se submeter ao teste que indicaria se havia sido contaminado pelo coronavírus, Witzel cancelou uma entrevista que daria ao UOL alegando "cansaço excessivo".

Atritos com Bolsonaro

Defensor do isolamento social como medida de combate ao covid-19, Witzel afirmou, na semana passada, que os governadores das regiões Sul e Sudeste pretendem apresentar uma petição conjunta no STF (Supremo Tribunal Federal) contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

O documento deve ser apresentado nesta semana, caso Bolsonaro não atenda a solicitações financeiras de combate ao coronavírus apresentadas em uma carta já entregue pelos governadores.

"Nós precisamos de um pacto federativo. É necessário injetar nas regiões Sul e Sudeste, imediatamente, algo em torno de R$ 50 bilhões. Eu já apresentei uma proposta de judicialização, caso não tenha uma sinalização concreta nessa semana. Temos uma petição conjunta para ser protocolada no STF para fazer prevalecer o pacto federativo. O Supremo terá que mediar esse conflito", disse o governador na ocasião.

Witzel também afirmou não ter certeza da efetividade das medidas de assistência à população já apresentadas pela União e mencionou o voucher de R$ 600 para trabalhadores informais durante o período em que for recomendado o isolamento como medida de combate à covid-19.

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